Jean Manzon: o fotógrafo preferido de Presidente Getúlio Vargas

Conheça o trabalho de Jean Manzon, importante fotojornalista Francês que trabalhou para o Governo de Getúlio Vargas e na Revista O Cruzeiro, no foto-áudio reportagem transmídia realizado por Bruna Ribeiro Lima e Gabriela Soares Ramalho, estudantes do 2º semestre do Curso de Jornalismo da ESPM-SP, sob orientação do Prof. Erivam de Oliveira.
Em 1915 nascia Jean Manzon, na cidade de Paris. Iniciou sua carreira aos 16 anos de idade como “foca” do jornal L´Intrangscant. Decidindo mais tarde seguir no campo da fotografia.
Trabalhou na agencia Meurisse, depois foi contratado pelo jornal France Soir, aonde era repórter fotográfico, e pela revista ilustrada Paris Match.
Em 1939 foi convocado para o Serviço de Cinema da marinha francesa em plena Segunda Guerra Mundial, mas acaba fugindo no ano seguinte para a cidade do Rio de Janeiro com seu colega, o jornalista e escritor Pierre Daninos. Na cidade carioca foi aonde viveu maior parte de sua carreira.
Já em território nacional trabalhou durante o governo de Getúlio Vargas como diretor de fotografia e cinema no DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Tornando-se o fotógrafo preferido do então presidente.
Mais tarde foi convidado por Frederico Chateubriand para trabalhar na revista “O Cruzeiro”. Tornou-se parceiro do jornalista Davi Nasser, com quem produziu reportagens de 1943 a 1951, as quais foram fundamentais para o sucesso de vendas da revista. Tornou-se então o mais famoso fotógrafo a atuar no Brasil do período entre as décadas de 1940 e 1970.
Apesar do sucesso há quem diga que ele não podia ser considerado um verdadeiro fotojornalista, já que boa parte de suas fotos eram posadas ou editadas.
Apesar disso foi responsável por inovar o fotojornalismo brasileiro, até então pouco criativo, com seus novos enquadramentos, “closes” e ângulos bizarros que atraiam a atenção dos leitores.
Fotografou Carmen Miranda e outros ícones brasileiros das décadas de 1940 e 1950, além de ter registrado clássicos da burguesia carioca.
Viajou para Alemanha, onde registrou o Cabaré Berlim, e para Portugal, onde retratou a cantora fadista Amália Rodrigues.
Além de ter sido um dos primeiros fotógrafos a revelar ao mundo as diversas faces dos índios do Xingu. E seu reconhecimento deve-se principalmente pela bela forma na qual retratava o Brasil valorizando suas cores .
A partir de 1952, Jean Manzon dirigiu e produziu mais de 900 documentários, vários deles a serviço do IPES- Instituto de pesquisa e estudos sociais. Em 1952 criou sua Produtora Cinematográfica, onde tornou-se o maior expoente do documentário brasileiro. A maior parte foi veiculada nos cinemas de todo o Brasil Durante o período da ditadura militar de 1964, os documentários de Jean Manzon ficaram conhecidos pelos elogios às realizações e obras do governo.
Um deles foi o “é tempo de construir” em 1971, que mostrava o milagre econômico, pela ótica das fabricas mostrando o desafio de melhorar a assistência técnica e peças em lugares remotos
Grande parte de seus filmes focava no desenvolvimento econômico e industrial do país, além de importantes relatos a respeito da diversidade cultural.
Outro filme produzido por ele foi A luta a pelo transporte que fala sobre a situação do transporte público no Rio de Janeiro e mostra o caos vivido pelo carioca para se locomover na cidade naquela época. Enquanto isso, as imagens mostram cenas impressionantes de trens e bondes, com camadas de gente pendurada do lado de fora, num equilíbrio quase impossível de acreditar.
Também produziu uma premiada biografia cinematográfica que repercutiu em vários países mostrando as importantes riquezas naturais valorizadas mundialmente, como a Floresta Amazônica e o Pantanal Mato-Grossense, além da cultura e o folclore de nosso povo.
Em 1961, ao transferir a sua produtora do Rio de Janeiro para São Paulo, Jean Manzon expandiu os negócios em direção à iniciativa privada. Sem abandonar seus vínculos com setores da administração pública, ele passou cada vez mais a ser requisitado pelo parque industrial paulistano em expansão. Os empresários se identificavam ideologicamente com o cineasta e não demoraram a perceber que contratá-lo era um bom investimento, afinal seus documentários, além de circularem nacionalmente, possuíam uma evidente qualidade visual. Sendo assim a trajetória do trabalho de Jean Manzon seguiu trilhas paralelas ao desenvolvimento político, social, cultural e industrial do país cobrindo o período entre 1940 e 1990.
Fotografou a construção de Brasilia, e no mesmo período tirou fotos icônicas do então presidente juscelino Kubitschek.
Ele nos legou uma rica iconografia que abrange os mais diversos temas: a aculturação das nações indígenas, a peculiaridade dos tipos humanos regionais, a natureza, o crescimento das cidades, a industrialização, o carnaval, além dos problemas sociais. O acervo Jean Manzon é um dos maiores patrimônios cinematográficos de preservação da história e da memória no Brasil e em toda América Latina produzido por um só artista.
Casou-se três vezes e teve dois filhos.
Falecendo em Portugal em 1990.

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