José Medeiros: do fotojornalismo do “O Cruzeiro” à fotografia de cinema

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Erivam Oliveira

Conheça o trabalho de um dos mais espetaculares fotojornalistas do Brasil no foto-áudio reportagem transmídia realizado por Elissa Ferraz e Heloisa Sabbatini, estudantes do 2º semestre do Curso de Jornalismo da ESPM-SP , sob orientação do Prof. Erivam de Oliveira.
José Araújo de Medeiros nasceu em Teresina- Piauí. Com 12 anos começou a se interessar por fotografia quando seu pai, fotógrafo amador, ensinou-lhe as técnicas de revelação em laboratório. Em 1939 foi para o Rio de Janeiro e lá começou a colaborar com as revistas Tabu e Rio. Em 1946, com apenas 25 anos Medeiros foi contratado por O Cruzeiro, dando início a um trabalho que o levaria a percorrer todo o país e viajar a Europa, ao Equador, aos Estados Unidos e a África.
Um dos grandes temas do repórter fotógrafo José Medeiros foi o Rio de Janeiro dos anos 1940-1950, cuja vida glamorosa se desenrolava, sobretudo, numa Copacabana cuja Avenida Atlântica ainda não fora duplicada. Com acesso as festas mais elegantes, Medeiros documentou um estilo de vida- o chamado café society, além dos bastidores da política e da cultura nacional, fotografando artistas, músicos e escritores de sucesso. No entanto, foi em viagens pelo país que produziu alguns de seus ensaios mais marcantes.
O mais famoso deles foi realizado em 1951, num terreiro de candomblé em Salvador onde documentou em imagens de forte dramaticidade o ritual de iniciação, com sacrifícios de animais, de jovens filhas de santo. Este ensaio gerou uma polêmica reportagem chamada: “As noivas dos deuses sanguinários”, com 38 fotografias de Madeiros e texto de Arlindo Silva.
Em 1957 Publica Candomblé, que ampliava o material da reportagem de 1951, contendo 65 imagens, com ênfase no aspecto visual. Trata-se do primeiro livro de fotografias sobre essa religião no Brasil. Outros conjuntos de destaque deixados por Medeiros incluem diversos ensaios realizados em tribos indígenas do Mato Grosso e do Pará, entre 1949 e 1957, e a cobertura – com especial atenção a cenas de arquibancada – da traumática derrota da seleção brasileira na final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã. Mais tarde, a partir dos anos 1965, dedicou-se á fotografia de cinema, tornando-se, segundo Glauber Rocha, “o único que sabia fazer uma luz brasileira”. Dentro dessa área desenvolveu uma segunda carreira de sucesso, que inclui títulos como Xica da Silva, de Cacá Diegues, A Rainha Diaba, de Antonio Carlos Fontoura, e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos. Em 1962 Funda, juntamente com Flávio Damm e Yedo Mendonça, a agência Image.
Madeiros ganhou em 1977 o Prêmio de Fotografia do Festival de Gramado (RS) pelo filme Aleluia Gretchen, de Sylvio Back. Em 1980 chegou a dirigir seu próprio longa-metragem, chamado Parceiros da Aventura. Foi também professor por dois anos da Escuela Internacional de Cine y Tevision de Santo Antônio de los Baños, em Cuba no final dos anos 1980. É homenageado em 1986 pela Funarte, com a publicação de um catálogo e uma exposição, intitulada “José Medeiros – 50 anos de fotografia”. Morre em Áquila, na Itália em 1990.

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