13ª edição da Virada Cultural reune 900 atrações mas tem baixo público

Cultura

Edson Capoano

Benício Freitas, segurança e Bárbara Villanueva, fotógrafa ficaram 3 anos sem acompanhar a Virada Cultural, mas estão voltando a participar do evento. Foto: Sofia Nunes
Benício Freitas, segurança e Bárbara Villanueva, fotógrafa ficaram 3 anos sem acompanhar a Virada Cultural, mas estão voltando a participar do evento. Foto: Sofia Nunes

No final de semana do dia 20 e 21 de maio, São Paulo recebeu a 13ª Virada Cultural. O evento, pela primeira vez na gestão de João Dória, teve 1,6 milhões de pessoas de acordo com a Prefeitura – metade do número da edição anterior, e contou com problemas de infraestrutura e mudanças no evento. O prefeito culpou São Pedro pelo esvaziamento e não compareceu.

No total, foram mais de 900 atrações espalhadas em 100 pontos pela cidade. Este ano, a Secretaria da Cultura realizou uma parceria com mais de 50 teatros independentes, disponibilizando 4.000 ingressos para espetáculos teatrais e 4 lonas de circo.

Além disso, contou com mudanças, como a descentralização dos palcos principais, um documento do MP para que os artistas não fizessem nenhuma manifestação político-partidária durante os shows e uma maior diversificação nas atrações, em que houve a participação de drag queens, palcos de refugiados e imigrantes, ibero-americanos e também uma virada oriental no bairro da liberdade.

Durante a cobertura do Portal, foram entrevistados alguns participantes da Virada. “Me parece que as coisas estão mais esparramadas, que as atividades estão mais deslocadas umas das outras. Menos concentração nas atividades, pelo menos aqui no centro”, contou Marcelo Pereira, professor de história. Pereira ainda comentou sobre a descentralização “eu gostava muito da ideia de concentrar as coisas no centro. Essa coisa da gente recuperar o nosso centro, de fazer ele ser vivo e da cidade acordar para ele. É uma coisa interessante para mim, essa sensação de que as pessoas vinham para cá curtir dois dias de cultura”, disse.

Diferente das edições anteriores, o número de violência e chamadas no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi baixo, registrando 13 solicitações de atendimento pelo SAMU e 8 pessoas detidos pela PM. Ademais, foram coletadas 153,5 toneladas de resíduos (17,7 toneladas de recicláveis), segundo revelado pela Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (AMLURB).

Infraestrutura e organização

A Virada enfrentou problemas agravados pela chuva, envolvendo entre eles transtornos na infraestrutura, que atrapalharam as apresentações.

É o exemplo de Mano Brown, que teve seu show cancelado. Ele alegou que a prefeitura não tinha feito as estruturas mínimas para a realização da apresentação. A montagem do palco foi prejudicada pela chuva de domingo (21), mas este já deveria estar pronto desde sexta-feira como dito em combinado. Outras performances também sofreram problemas, houve atrasos no show dos DJs do Taco Bell pois a prefeitura esqueceu de montar o palco na Praça Antônio Prado, no centro.

Vários locais tiveram problemas com som, como no palco de Refugiados e Imigrantes na Rua do Tesouro. Durante a exibição do making of do filme Hotel Cambridge (20) ocorreram problemas técnicos com microfones e aparelhos.

Descentralização

Pela primeira vez, a virada foi sediada também em palcos no Autódromo de Interlagos, Sambódromo do Anhembi e Jockey Club, levando as atrações maiores para estes locais.

A mudança estabelecida por Dória dividiu opiniões. Para Renata Obeica, cozinheira, a descentralização foi boa pois espalha cultura pela cidade. Pensando também na lotação de eventos anteriores, Geraldo Martins, engenheiro, pontuou que o evento esse ano foi mais organizado e menos concentrado, mas ainda apontou alguns problemas. “Para o Autódromo, eu achei bacana porque tem uma boa estrutura, assim como o Sambódromo. Agora, o Jockey já nunca foi preparado para isso. Todo evento que tem lá dá tumulto. Tem problema de ônibus, de estacionamento e de trânsito”, criticou.

No entanto, o designer gráfico Lucas Borba tem opiniões diferentes sobre o assunto e lembrou da mobilidade que exigia essa nova Virada. “Agora, se você quiser assistir um evento no Jockey, você tem que correr para lá e depois voltar aqui no teatro municipal, então ficou mais complicado”, disse.

Também contra, a participante Bárbara Villanueva enxerga a descentralização como algo segregador e pouco acessível. “Eu penso que essa divisão não é uma divisão de tipo de som, por exemplo, aqui vai tocar rock e ali vai tocar samba. É uma divisão social. Se você está um pouco mais acima da classe normal, você vai estar lá (Jockey), e mesmo que você não seja de uma classe boa, você não vai ir até lá por ser muito longe. A maioria não vai. ”, argumentou. “Isso é péssimo porque a cultura deveria ser acessível a todos”.

Em declaração durante o evento, o Secretário da Cultura André Sturm afirmou que o Sambódromo do Anhembi foi o único espaço que decepcionou devido ao público pequeno em um espaço grande.

Por Lucas Abreu e Sofia Nunes (1°Semestre)

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