CDs e discos de vinil perseveram na era do streaming

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Juan Cuela (1º semestre)

A maneira de consumir música está em constante mudança, assim como a música propriamente dita. Ao longo dos últimos 70 anos, várias tendências se estabeleceram à medida que novas mídias foram inventadas; dentre elas, a que provavelmente ganhou mais destaque foi o Compact Disc, mais conhecido como CD.

A indústria do CD teve seu ápice em 2000, de acordo com a Recording Industry Association of America (RIAA), que representa as gravadoras dos Estados Unidos. Naquele ano, o valor total das vendas chegou a US$ 13,2 bilhões no país. Em 2018, o valor chegou a ínfimos US$ 698,4 milhões. Já os discos de vinil, que tiveram seu apogeu na década de 1970, caíram de US$ 2,5 bilhões em vendas em 1978 para US$ 419,2 milhões em 2018.

Essa queda de vendas de ambas as mídias se deve à chegada da chamada “era do streaming”, na qual serviços virtuais, como o Spotify e o Deezer, oferecem a possibilidade de se escutar música ilimitadamente por meio de uma assinatura mensal. Entretanto, muitos amantes de música ainda preferem ter a mídia em mãos, seja para ouvir ou para colecionar.

Mesmo com o mercado aparentando estar comprometido, o clima é de otimismo. De acordo com Gilberto Custódio Jr., esse tipo de negócio está atualmente em um momento de transição, mesmo com a crise econômica pela qual o país está passando. Ele, que é sócio-proprietário da Locomotiva Discos, loja especializada em CDs e LPs localizada no centro da cidade de São Paulo, assevera que a imprevisibilidade faz com que as gravadoras lancem CDs e vinis em tiragens (n° de cópias) muito pequenas, e muitas vezes atrasadas em relação a outras partes do mundo. Com o tempo, o entendimento do mercado deve melhorar e as gravadoras “darão tiros mais certeiros”.

Gilberto destaca que, de acordo com o relatório semestral da RIAA, divulgado no início do mês, houve pela primeira vez em anos um aumento na venda de CDs no primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2018. O relatório aponta também que os discos de vinil registraram uma alta de 12,9% em sua receita enquanto os CDs se mantiveram praticamente estáveis; isso indica que em breve os vinis devem superar os CDs em vendas pela primeira vez desde 1986. Em sua loja isso já é uma realidade: 60% das vendas físicas são de discos de vinil.

Para que a melhora no mercado seja efetivada, Gilberto defende a volta dos CD Players, principalmente em veículos, pois os modelos mais recentes possuem apenas conectividade USB e Bluetooth. “Eu mesmo já tive problemas em uma viagem com o Bluetooth, perdi a sincronização com o meu celular e fui obrigado a ficar sem música. Eu achei a experiência um fracasso, falei ‘Pô, se eu tivesse o CD estaria ouvindo ele aqui’. Acho que com o tempo o pessoal vai começar a perceber que não é tão legal mesmo o Bluetooth, que pode dar problema e precisa ter uma alternativa, e vão voltar a colocar CD Players nos carros”.

De qualquer forma, Gilberto é categórico ao afirmar que o mercado de CDs logo se tornará o mesmo dos vinis: um negócio de nicho, com todos os lançamentos minuciosamente planejados e destinados a um público específico.

Ele assegura que a tendência deste mercado é de crescimento: muitos discos de vinil estão sendo lançados aqui, principalmente os nacionais, embora esse tipo de produto seja pouco explorado devido aos custos altos de licenciamento e fabricação. No ano passado foi criada em São Paulo a Vinil Brasil, que juntamente com a Polysom, no Rio de Janeiro, são as únicas fábricas de discos operando no Brasil atualmente.

 

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