Espaço para os eSports cresce na televisão brasileira

Cultura

Paulo Ranieri

Leonardo Colerato (1º semestre)

Os esportes eletrônicos, ou eSports, deixaram de ser “brincadeira de criança” há algum tempo e essa nova “brincadeira” já se tornou algo sério e profissional. E nova tendência não passou em branco pelas emissoras de televisão, já que a indústria movimenta bilhões ao redor do mundo. Só no Brasil, segundo dados divulgados pela Newzoo, há 11,4 milhões de espectadores de eSports, e o país representa quase a metade da audiência na América Latina, que é de 23,7 milhões pessoas. O público brasileiro é o terceiro maior mercado de esportes eletrônicos no mundo, perdendo apenas para Estados Unidos e China.

Ao redor do mundo, importantes canais esportivos já identificaram a popularidade dos eSports no meio do público jovem e apostam em programações alternativas focadas nos grandes campeonatos destas modalidades eletrônicas. E no Brasil não seria diferente, diversos grupos e canais televisivos já têm programas para esse público e transmitem os principais campeonatos nacionais e internacionais em suas próprias grades. Canais como Esporte Interativo, ESPN, Rede Globo, RedeTV! e Sportv já começaram a negociar torneios e produzir o seu próprio conteúdo.

O League of Legends, ou LoL, é um dos mais famosos jogos no Brasil, e tem sua versão competitiva com o Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL). A Rede Globo, após negociações com a empresa Riot Games, criadora do jogo, ganhou os direitos de transmissões e da própria final com exclusividade. A final do torneio de 2017 chegou a ter mais de 2,6 milhões de pessoas assistindo a transmissão, superando a transmissão dos jogos das finais da NBA no Brasil.

Na ESPN, os números também impressionam. O canal tem direitos de transmissão de muitos torneios, como Counter Strike (CS), Fifa, Clash Royale, Madden 18 (NFL), entre outros jogos, tendo praticamente algo relacionado a vídeo game todo dia em sua programação. E o próprio canal, em 2017 e 2018, criou três programas focados em eSports. "Multiplayer" apresentará um simulador de eSports, trazendo aos fãs as experiências de jogo dos games. O "MatchMaking" exibirá os principais temas do mercado brasileiro de games, entrevistas de jogadores profissionais e cobertura das competições disputadas no Brasil. O "Arena eSports" mostrará os principais acontecimentos do mercado internacional, com entrevistas de jogadores norte-americanos, europeus e asiáticos, além de review dos principais torneios.

De acordo com o narrador e caster (nome atribuído a um narrador e apresentador de games), Petar Neto, a crescente dos games na televisão é uma tendência é interessante narrar e participar deste novo conteúdo.

“É bem diferente, internet e TV são universos totalmente distintos, mas estão correndo cada vez mais em paralelo. Vai chegar um momento em que eles vão se convergir (...) tem coisas na internet que não se faz na televisão.”

Sobre o aumento das transmissões de eSports na televisão, Petar Neto afirma ser algo impressionante: “Há quatro anos, era inimaginável, a TV tem muito mais alcance do que a internet na América Latina (...). Nós, no Brasil, somos o terceiro maior mercado do mundo (...). Após o título da LG (Luminosity Gaming), time profissional de CS, a chegada da TV abre portas que a internet tem dificuldades para abrir, tudo envolve público e audiência, a televisão abre portas comercias mais sólidas, trazendo uma maior profissionalização”.

Petar diz, no entanto, ser ainda um pouco cedo para afirmar que um canal dedicado só para isso tenha sucesso, já que o Brasil não está atrelado a essa cultura da mesma forma que já estão os chineses e os norte-americanos.

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