Evento Diálogos CEDS promove debate sobre violência infantil e comunicação

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Beatriz Araujo e Lua Cataldi (1º semestre)

Na quarta-feira (29), o evento Diálogos CEDS promoveu o debate sobre o papel da comunicação na prevenção da violência infantil, sob mediação do prof. Marcus Nakagawa, coordenador do CEDS e da ESPM + Sustentável. O tema, que tem gerado repercussão diante de conteúdos de séries e filmes, foi discutido por profissionais da saúde, da comunicação e de ONGs.

A discussão foi iniciada com provocações feitas pela professora de neurociência da ESPM, Vanessa Clarizia Marchesin. Ela colocou em evidência assuntos discutidos por Freud, como a sexualidade na infância e o tabu imposto pela parcela puritana da população sobre o tema. Reforçou, ainda, que a internet e a comunicação possuem papel importante, tanto na disseminação de informação quanto no incentivo de denúncias.

Sara Gonçalves, coordenadora de projetos da unidade de São Bernardo do Campo (SP) da Ficar de Bem (CRAMI), seguiu o debate definindo a violência como um conjunto de fatores: individuais, relacionais, sociais, culturais e ambientais. Ela esclareceu que as crianças são as maiores vítimas de estupro no Brasil, ressaltando que, normalmente, os agressores estão dentro de suas próprias casas, e que tráfico humano para a exploração sexual perde apenas para o tráfico de drogas e armas.

Como representante dos canais de comunicação, Emilio Sant’Anna, jornalista e editor-assistente da Folha de São Paulo, colocou em pauta o impacto da mídia na hora de reportar a violência infantil. Ao trazer como exemplo o caso da escola de Suzano, abordou o viés negativo da imprensa em coberturas como esta, uma vez que ela detém o poder de dar maior visibilidade aos criminosos do que na gravidade do crime em si.

No fim do bate-papo, foi aberto um espaço para perguntas dos espectadores, o que gerou o aprofundamento da discussão a respeito da ética e da educação no momento de publicar informações. De acordo com Sara, a transmissão de conteúdos sobre violência é necessária, mas o modo como é transmitida precisa ser bem pensado. “A gente precisa falar, a questão é como falar”, declara.

 

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