Futebol de várzea cresce e anima jovens na Vila Leopoldina

Geral

Antonio Rocha Filho

Bia Maria – 3º semestre de Jornalismo

 Jogos sem transmissão, fotógrafos e holofotes. Os times amadores existem desde o século XIX no Brasil e não param de crescer. Segundo a FutLiga, maior rede virtual de equipes amadoras em São Paulo, existem 1.500 equipes cadastradas na cidade e 83 na zona oeste. Na Vila Leopoldina, bairro da zona oeste, ao menos 15 times foram criados nos últimos cinco anos por jovens apaixonados pelo esporte.

 O A.D.V. (Amigos da Vila), o S.C. Galácticos e o Santo Antônio F.C. são alguns exemplos de times que, fundados recentemente, buscam seu espaço fora dos gramados. Para Carlinhos Gouveia, ex-jogador do Santos e morador do bairro, esse aumento só ocorreu devido à reativação dos campos que no final dos anos 1990 foram abandonados.

“Há 30 anos eu joguei no primeiro time amador da Vila Leopoldina, o Botafogo, que permanece vivo até hoje. Houve um momento que os campos de várzea foram sumindo”, diz. Ele ainda ressalta que graças ao incentivo do governo na criação de campos e gramados sintéticos novos times tiveram a oportunidade de aparecer.

Novos times

É no contexto de novas chances que surge o A.D.V. A bola começou a rolar em março de 2014 e não parou mais. Fundado por amigos de infância, que uniram resenha e futebol, a equipe entrou na Liga do Batalha, uma rede de times amadores, e hoje participa de campeonatos como Bola de Prata, Liga SP e Jogos da Cidade.

“Nosso primeiro campeonato foi o Taça Manoel Tobias, e jogamos todo o ano na Copa Oeste, que tem jogos no Pelezão, aqui do bairro, e também em Osasco”, diz Alexandre Orsi, 23 anos, que é jogador e atua também na gestão do Amigos da Vila.

O time, que anseia ganhar um campeonato, guarda com carinho os troféus de festivais no Bar do Lima, local que se tornou ponto de encontro entre os amigos. “A gente fica muito aqui. Todo pós-jogo a gente vem para cá e já até fizemos churrasco, inclusive fomos nós que batizamos como Vale o bar que a gente frequenta e o nome pegou”, orgulha-se Orsi.

Time do Sport Club Galácticos em formação antes de partida da Copa Américo. Foto: Reprodução

Por outro lado, o Sport Club Galácticos, fundado também em 2014 pelo estudante de direito Bruno Marinelli, 21 anos, já conquistou quatro títulos em festivais, duas vezes pelo Festival CSU e duas vezes o Festival XI Garotos.

"Não éramos os favoritos naquele dia do Festival CSU. O mais emocionante foi que a disputa acabou nos pênaltis e eu era goleiro. A primeira vitória fica todo mundo animado e grita bastante", relembra o jogador sobre a disputa de março de 2015.

Competitividade

O favoritismo ultrapassa laços de amizade. O Santo Antônio F.C., que também nasceu no mesmo ano de seus adversários, teve o chute inicial dado por Matheus Rodrigues, 21 anos, que garante competência na hora de escolher os jogadores. “Quando se tem um time para jogar em campeonatos, a habilidade prevalece mais do que a amizade”, conta.

O perfil do futebol de várzea era classificado como terrão, pois tinha falta de estrutura e era marginalizado. Para o especialista em futebol amador Diego Viñas, formado em jornalismo esportivo e negócios do esporte pela FMU, esse perfil mudou e transcende a periferia. “Com a diminuição da violência somada ao número de times que nasceram fora das regiões periféricas, como em quadras de condomínio, novos jogadores estão vendo no futebol de várzea uma oportunidade de jogar”, completa.

 

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