Jornalistas e cônsules debatem liberdade de imprensa na ESPM-SP

 

Participantes do debate "O Futuro do Jornalismo", organizado pelo curso da ESPM-SP (Foto: Bárbara Proença).

Participantes do debate “O Futuro do Jornalismo”, organizado pelo curso da ESPM-SP (Foto: Bárbara Proença).

No Dia Internacional da Liberdade de Imprensa (3), o curso de Jornalismo promoveu o seminário “O Futuro do Jornalismo”, com a participação de empreendedores da área e dos cônsules norte-americano e canadense, Ricardo Zuniga e Stéphane Larue, respectivamente. O debate, aberto ao público, teve grande presença de estudantes.

O responsável pela abertura foi Daniel Bramatti, diretor do Estadão Dados e da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que acredita no jornalismo de dados como uma maneira de contar uma história visual e que permita uma integração com o leitor. “Esse tipo de jornalismo é basicamente um ninho de técnicas que permitem que você possa trabalhar com grandes bases de dados e extrair delas informações importantes”, explicou. Já Sergio Spagnuolo, fundador e editor da agência de jornalismo de dados Volt Data Lab, citou a dificuldade em conseguir financiamento e relevância dentro dessa área, ao contrário de outros países, como os Estados Unidos.

Karla Mendes, jornalista e empreendedora, defendeu o jornalismo com base de dados aberta, diferente de experiências que teve em uma agência independente: “não se podia compartilhar nada, porque só poderia ler quem tivesse pago”, contou ela. Renata Rizzi, cofundadora da rede de notícias independente Nexo, falou sobre os novos formatos do jornalismo, como os que permitem que a notícia seja disponibilizada de forma igual em qualquer lugar do mundo e também o surgimento de opções gratuitas, tornando-o mais democrático.

Liberdade e acesso à informação

A palestra também contou com a presença de jornalistas internacionais, como o jornalista canadense Chris Arsenault, ex-produtor sênior da Al Jazeera e ganhador do prêmio de Ouro na categoria ”Prêmios de Correspondentes da ONU”, em 2015, e a norte-americana Patrice McDermott, diretora executiva da OpenTheGovernment.org, e autora do livro “Who needs to know? The state of public acess to Federal Government Information”.

Patrice mencionou a Lei de Liberdade à Informação (FOIA), que não é totalmente respeitada pelo governo estadunidense, a partir do momento que alguns órgãos governamentais se recusam a liberar determinados documentos ao público e aos jornalistas que requerem. Já Arsenault admitiu que conseguir informações hoje não é tarefa fácil. Ao enviar um requerimento para o governo canadense pedindo documentos sobre uma suposta transação milionária de venda de armas à Arábia Saudita, confessou: “tudo o que recebi foi um papel alegando que não iriam se pronunciar sobre o assunto”.

Por isso, Chris acredita que o governo está tentando colocar as informações “atrás da parede” e continuar suas atividades em segredo. Porém, “saber utilizar a liberdade de informação e estar aberto para entender mais profundamente em termos como a economia no governo no Brasil é importante para os repórteres e para o público. Espero dividir informações sobre como faremos isso e quais ferramentas devemos usar para achar informações”, encorajou o jornalista.

Por Ana Elisa Macedo, Bárbara Proença e Giovanna Dagios (1º semestre)

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