Juventude e inovação são a chave para a sustentabilidade

Campus

Por Walter Niyama (4 semestre)

Da esquerda para a direita: Odete de Fátima Borges Silva, Pedro Telles, Leo Billi, Edson Duarte, Miranda Costa de Jesus, e Paulo Cunha. Foto: Walter Niyama.
Da esquerda para a direita: Odete de Fátima Borges Silva, Pedro Telles, Leo Billi, Edson Duarte, Miranda Costa de Jesus, e Paulo Cunha. Foto: Walter Niyama.

 

Foi realizado no auditório Victor Civita, da ESPM-SP, o 5º Fórum de Sustentabilidade 2017, com o Diálogos CEDS. O evento contou com professores e ativistas que trabalham em causas de meio ambiente e preservação ecológica, como fazem isso e quais os impactos de seus trabalhos. Os projetos apresentados e discutidos foram diversos, mostrando como novas ideias podem contribuir para um mundo mais verde.

Logo na abertura do evento, um vídeo foi exibido, mostrando e explicando os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), uma agenda mundial da ONU com 169 metas e 17 objetivos principais que dizem respeito ao meio ambiente e à sociedade. Entre eles, pode-se citar o fome zero, erradicação da pobreza e combate às alterações climáticas.

Após destacar os problemas a serem enfrentados, Marilena Lino de Almeida Lavorato, da Benchmarking Brasil, falou da importância das iniciativas e também da importância em se começar, desde cedo, a ensinar sobre o assunto para pessoas e crianças e, assim que se conscientize a elas sobre a sustentabilidade: “É preciso educação, um processo e, se não passar por esse caminho, não se chega ao engajamento”, disse Marilena.

Campanhas e visibilidade

Pegando o gancho deixado, Pedro Telles, coordenador internacional de projeto do Greenpeace e ex-aluno da ESPM, falou da maneira em como os ODS tem valor, mas ainda é preciso fazer mais.

O Greenpeace sai dele com projetos, como o Desmatamento Zero, que, se antes surgiu como uma ideia considerada utópica ou impossível, hoje já são debatidas formas de tornar isso realidade. E, muito disso, vem das campanhas montadas em alguns passos, que incluem: identificar o problema, a causa dele, e como divulgar isso.

As estratégias são variadas, mas a inovação para campanhas de conscientização é importante.  Para pressionar a Nestlè a parar de comprar os insumos provenientes do desmatamento na Indonésia, o Greenpeace criou uma propaganda baseando-se em peças criadas para o Kit Kat (um dos produtos da marca) em que dentro da embalagem do chocolate há o dedo de um gorila.

Campanha do Greenpeace contra o desmatamento. Reprodução.
Campanha do Greenpeace contra o desmatamento. Reprodução.

Para aparecer nos jornais, a tarefa é difícil, já que o meio ambiente é um assunto que todo mundo tem conhecimento e que, para, então, ter um espaço na mídia, é preciso também fazer algo diferente.

“A questão da madeira na Amazônia todo mundo sabe. Então, colocaram aparelhos de localização em caminhões de madeira ilegais, fizeram um mapa das rotas e levaram para o governo. Para onde vai e vem. Aí tem coisa nova”, explicou Pedro.

Na apresentação, então, foi mostrada a estratégia de apontar as consequências, especialmente as que acontecem com os animais, aproximar as pessoas dos problemas, compartilhar a mensagem em todos os lugares, para que se tenha uma pressão em conseguir fazer com que empresas e governos mudem suas ações.


Conscientização desde cedo

Logo em seguida, Odete de Fátima Borges da Silva apresentou o projeto da Labor Educacional. A instituição se compromete a ajudar na capacitação de professores para que ensinem melhor as crianças, atuando não só com eles, mas também com o corpo docente e com os indivíduos das comunidades locais.

“A educação está sangrando, mas estamos trabalhando, especialmente nas escolas públicas, desde capacitação dos alunos, até na comunidade no entorno”, informou Odete.

No sentido para a sustentabilidade, os professores são incentivados a fazer coisas diferentes que fujam das aulas padrões, como trabalhos e projetos que também visem ensinar as crianças sobre a importância de não desperdiçarem, e ajudarem na preservação do ecossistema.

A Labor Educacional também tem como objetivo a independência dos professores, que eles não dependam mais da Labor a ponto de conseguirem instruir outros professores a continuar com os projetos.

Novas tecnologias

Foi mostrado ainda um game desenvolvido pela Waba Waba, em que há um continente com três países e recursos limitados e o objetivo é desenvolver sua nação para satisfazer sua economia e o bem-social, mas sem acabar com a natureza. Tendo ainda que lidar com as consequências de cada tomada, tanto as suas como jogador como a dos outros dois estados.

Edson Duarte representou os estudantes que trabalharam no ColoRice e falou sobre o projeto. Foto: Walter Niyama
Edson Duarte representou os estudantes que trabalharam no ColoRice e falou sobre o projeto. Foto: Walter Niyama

 

Outro destaque também foi dado para os trabalhos dos alunos do SENAI. O primeiro apresentado foi o pincel marcador para quadro branco com a tinta sendo feita com casca de arroz, com a marca batiza de ColoRice.

Para tanto, pesquisas foram realizadas para ver qual resíduo poderia ser aproveitado e também a demanda para o produto que se mostrou em alta com as escolas, substituindo os gizes que, apesar de mais baratos, são pouco práticos e não são ecologicamente corretos.

Ainda para contribuir com as causas ambientais também por estudantes do SENAI, foi criado o aplicativo GreenMaps, mostrando os pontos de recolha de lixo, permitindo denúncia de descarte inadequado, para que, assim, as pessoas tenham iniciativa para ajudar com uma pauta, tanto verde quanto urbana, que é o gerenciamento do lixo.

Os jovens

Léo Billi, um dos representados pelos alunos do SENAI, fez questão também de falar do papel dos jovens para um futuro mais verde e de como ela pode agir para isso. Para dar um exemplo, ele falou sobre o dia em que disse para sua classe que o mico-leão deveria ser extinto por não servir para nada, o que revoltou os estudantes levados a debater com ele, só para convencê-lo de que estava errado.

“Nunca houve no mundo uma geração mais nova ensinando a mais velha. O que falta é um pouco mais de liberdade. Nós, educadores, focamos o aluno num caminho, ao invés de deixá-lo seguir o próprio, sem antes ver para onde vai. O que os alunos e adolescentes precisam é de uma fagulha, e terão se houver um apelo forte, ou alguém que os incentive, e é assim que teremos um mundo melhor”, concluiu Billi.

O evento foi promovido pela Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável), Universidade Anhembi Morumbi, ESPM- SP, Centro Paula Souza, Justiça Federal TRF 3, Universidade Mackenzie, SENAI São Paulo, Mais Atitude Instituto Socioambiental, Benchmarking Brasil, e teve ainda apoio da 321 Apresentadores, Cacauí Eventos e Papo Reto.

 

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