Mulheres relatam assédio e alternativas à opressão masculina nos meios de transporte

 

O dia-a-dia da mulher brasileira é marcado por medo e insegurança nos transportes públicos. (Foto: Marcelo Nogueira)

O dia-a-dia da mulher brasileira é marcado por medo e insegurança nos transportes públicos. (Foto: Marcelo Nogueira)

Nas últimas semanas, o assédio às mulheres nos meios de transporte tornou-se um dos assuntos mais comentados na mídia. Diego Ferreira de Novais, de 27 anos, assediou duas mulheres no transporte público de São Paulo e foi condenado há dois anos de prisão por um ataque cometido em 2013. Outro caso de destaque foi o estupro sofrido pela escritora Clara Averbuck por um motorista do UBER. Hoje (27), um homem ejaculou em uma mulher, em ônibus em Sorocaba.

Tais casos provocaram a reflexão sobre a forma como as mulheres vistas e tratadas na sociedade. A equipe do Portal de Jornalismo da ESPM-SP foi às ruas conversar com mulheres sobre o tema. E a maioria das entrevistadas afirmou que já sofreu violência nos meios de transporte:

Toques e perseguição

A estudante de publicidade, Vittoria Maria, disse ter presenciado uma cena de assédio sexual no vagão do Metrô de São Paulo. Segundo a entrevistada, um senhor estava encostando as partes íntimas em uma garota, que tentava se segurar nas barras do metrô às seis da tarde, horário de maior movimento nos transportes públicos. A passageira tentou se desvencilhar, mas foi perseguida pelo agressor. “Foi bem desagradável, a menina começou a chorar na hora que ela desceu da estação. Não sei se ela chegou a denunciar”, complementa;

“Um homem de terno e Bíblia, com a qual cobria o pênis bastante excitado, encostava em mim na estação da Luz” conta Maria Fernanda, auxiliar técnica. Ela diz ter encarado o homem, e que o único jeito de evitar o contato foi colocar sua mochila entre os dois e o empurrar. “Fiquei muito constrangida, queria sumir”, exclama. Maira, de 26 anos, também reclama: “Vários senhores mais velhos sentam do lado e passam a mão nas nossas pernas, encostam como se fosse por conta do movimento do ônibus”.

Há mulheres que não temem em reagir à violência. A estudante de publicidade, Ana Beatriz Forgione, relatou a situação enfrentada no dia da entrevista. “Eu estava no metrô e tinha um cara muito mais velho me encarando, que rindo. Eu comecei a encarar ele e falei: ‘Você está olhando o quê? Você quer tirar foto? Só porque eu estou de saia? ’, porque eu falo mesmo”. O homem ficou constrangido e pediu desculpas, mas ela diz não gostar da atitude, mesmo que sejam só olhares. “A mulher tem que se impor”, finaliza.

Vagão Rosa

Uma iniciativa apresentada em transportes públicos de vários país, como Japão, Egito e Índia, é o vagão rosa, destinado exclusivamente à utilização das mulheres. A ideia já foi implementada no Rio de Janeiro desde 2006 e no Distrito Federal desde 2013, e sua implantação tramita em outros estados, como em São Paulo.

“É triste que se precise de um vagão especial para as mulheres, mas já que é preciso, é bom que se tenha”, diz estudante de Jornalismo, Clara Castro. Ela argumenta que não se sente segura em utilizar o metrô sozinha durante a noite, mas que gostaria que não fosse necessário a existência do vagão exclusivo.

A estudante de Relações Internacionais, Bianca Santorato, acredita que a iniciativa ajuda as mulheres. Porém, não deveria ser algo necessário a se pensar. “Eu, por exemplo, quando vou pegar metrô, fico procurando onde tem mais meninas da minha idade juntas para ficar perto”, complementa.

Carolina, carioca de 21 anos, utiliza o vagão rosa quando visita o Rio de Janeiro e dá sua opinião. “Por mais que possa trazer mais segurança para mulher na questão de assédio, acredito que essa divisão não é a forma correta para solucionar o problema”.

Aplicativos

            A novidade do tema no ramo dos transportes particulares é oferecer serviços exclusivos para mulheres. Entre eles, estão os aplicativos LadyDriver e Femitaxi. O grande diferencial dessas empresas é que o grupo de motoristas é formado apenas por mulheres.

Algumas entrevistadas pela reportagem afirmam usar os aplicativos e gostaram muito. A estudante de publicidade, Maria Eduarda Lopes, é uma delas. Ela aponta que o preço do serviço é mais caro do que os aplicativos convencionais de motoristas particulares, mas acha que “se você for sair à noite, é uma medida que compensa, devido à segurança trazida pelo fato de serem mulheres dirigindo”.

Bruna Lozano, também estudante de publicidade, não utiliza os aplicativos exclusivos, mas que das poucas vezes que pegou um carro dirigido por uma mulher, estas foram mais simpáticas do que os homens. “Elas são menos invasivas. Os homens começam a fazer umas perguntas que, às vezes, são mais para provocar que para serem simpáticos”, afirma.

Por Franciellen Rosa, Luiza Consul e Marcelo Nogueira (2º semestre)

 

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