Nacional completa 100 anos e luta contra esquecimento

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Por Bernardo Campos e Fabricio Julião Filho (3º semestre) - Edição Amanda Krainer (8º semestre)

Clube centenário tem uma rica história, mas sofre com problemas causados pelo futebol moderno

Placa comemorativa aos 100 anos de fundação do clube. Foto: Página do Nacional no Facebook

Enquanto os grandes clubes brasileiros e do exterior possuem elencos recheados de estrelas, patrocinadores milionários e estádios modernos, em alguns clubes do Brasil, a realidade é completamente outra. Um desses casos é o Nacional Atlético Clube, que completou 100 anos em fevereiro. O clube da Barra Funda tem uma ligação histórica com Charles Miller, introdutor do futebol no Brasil, e luta diariamente por sua sobrevivência, disputando divisões inferiores do futebol paulista.

Vice-presidente do “Naça” desde 1982 e conselheiro há 48 anos, Edison Gallo, 73 anos, contou que com a criação da Lei Pelé tornou-se difícil de administrar as contas. “Todos os passes de jogadores foram para empresários e isso acaba com o clube. Em 1972 quando vencemos a Copa SP nós vendemos três atletas ao Palmeiras e com esse dinheiro fizemos a piscina. Essa é a dificuldade que clubes formadores de atletas, como o Nacional, enfrenta atualmente”.

Edison Gallo, vice-presidente do Nacional há mais de quatro décadas, mostra homenagem da Federação Paulista ao centenário do clube. Foto: Bernardo Campos

As principais fontes de renda do Nacional são as parcerias feitas dentro clube. As quadras de society, futevôlei e o apoio do futebol profissional ajudam nas finanças atualmente. Gallo disse que os prédios construídos na região também prejudicaram o clube. Segundo o vice-presidente, os prédios ao lado estão com uma ação judicial contra o clube, por conta do barulho. “O pessoal da região não tem mais identificação com o clube, na maioria das vezes até esquecem de nossa existência”, afirmou.

A torcida organizada Almanac, fundada em 1984, acompanha o time em todas as partidas dentro e fora do Nicolau Alayon, estádio do Naça. Murilo Sarro, 22 anos, é um dos membros e falou sobre a indiferença que as pessoas da região têm em relação ao Nacional. “O esquecimento é relativo, o clube nunca foi de fato abraçado pelo bairro. Por outro lado, a diretoria também não fez por onde tentar cativar esse público e atraí-lo para o Nacional”.

O estudante Lucas Camillo, 19 anos, é morador da região e, apesar de não acompanhar os jogos, adotou o Nacional como um segundo time. “O clube é de bairro e isso faz com que as pessoas, por mais que não torçam para ele, acabam tendo um carinho maior”, conta. Lucas também comentou que o Naça foi o primeiro time de seu pai, o zagueiro Fábio Camillo, mais conhecido como Nenê, campeão brasileiro com o Corinthians em 1999. “Meu pai começou sua carreira no Nacional, minha família tem muito carinho pelo clube. Sabemos de sua importância”.

História

Apesar de ter completado 100 anos, a história do Nacional é bem mais antiga. O “ferrinho”, chamado carinhosamente pelos torcedores, teve seu início em 1894, com o precursor do futebol no Brasil, Charles Miller. O jornalista Leandro Massoni, e autor do livro Nacional - Nos Trilhos do Futebol Brasileiro, discorreu sobre a trajetória de Miller e a relação do ex-jogador com o clube.

“O Charles Miller foi estudar na Inglaterra ainda jovem e, ao retornar ao Brasil, foi trabalhar na companhia ferroviária São Paulo Railway no mesmo lugar onde seu pai trabalhara. Ele percebeu que os funcionários da ferrovia não tinham uma atividade recreativa e apresentou a eles o futebol que havia aprendido na Inglaterra”.

No dia 14 de abril de 1895 houve a primeira partida de futebol em território nacional, realizada entre os times da São Paulo Railway e a Companhia de Gás. O jogo terminou 4 a 2 para o time de Charles Miller, que marcou dois gols. “Depois daquela partida, a São Paulo Railway decidiu formar vários grêmios em diferentes cidades do Brasil e só trouxe o futebol para a capital paulista de vez em 1919, ano em que o clube foi fundado juridicamente”, relatou o jornalista.

Atualmente o clube disputa a série A2 do Campeonato Paulista, mas já deu trabalho para os times grandes do estado e chegou a vencer a Copa São Paulo de Futebol Jr. duas vezes, em 1972 e 1988, além de conquistar outros títulos como a série A3 do Campeonato Paulista, em 1994, 2000 e 2017, e o Campeonato Paulista da segunda divisão, em 2014.

 

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