NFL deve promover jogo no Brasil

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Gustavo Zachary (1º semestre)

A audiência da NFL (National Football League) cresce a cada ano no Brasil. O último Super Bowl entre New England Patriots e Los Angeles Rams teve uma audiência 40% maior em relação a final do ano anterior. O jogo foi transmitido em 113 salas de cinemas em 59 cidades diferentes.

Devido ao aumento da popularidade, a NFL trabalha com a possibilidade de trazer um jogo da liga para o Brasil. Mesmo com o grande interesse da NFL, a iniciativa partiu da prefeitura de São Paulo, que convidou Akash Jain, vice-presidente de desenvolvimento internacional comercial da liga, para conhecer a Arena Corinthians, o Allianz Parque e o Estádio do Pacaembu. Os locais já foram palcos de grandes eventos, como os jogos olímpicos, e shows grandiosos como de Justin Bieber e Paul McCartney. Dentre os três, o estádio preferido para receber o jogo foi a Arena Corinthians, um dos estádios da Copa do Mundo de 2014.

 

O surgimento do futebol americano

O rúgbi e o futebol dominavam a Inglaterra, e os esportes chegavam até os Estados Unidos por meio de alunos de famílias ricas, que iam ao país britânico para estudar. Tanto o futebol quanto o rúgbi se espalharam pelo país, mas ainda não tinham uma regra definida.

Então, três grandes universidades americanas, Harvard, Columbia e Princeton, se reuniram para criar uma regra universal para o jogo. Assim surgiu o futebol americano (FA).

No Brasil, o esporte surgiu nas areias do Rio de Janeiro, com estudantes jogando o chamado “Beach Football”, em 1986. O primeiro time de FA do país surgiu em 1991, na cidade de Joinville, em Santa Catarina, o Joinville Blackhaws.

 

O flag football

O flag football nada mais é que uma modalidade do FA, só que ao invés do contato para derrubar o adversário e parar o jogo, os jogadores precisam puxar uma bandeira que cada jogador carrega na cintura, que, quando puxada, a jogada é paralisada. O esporte se popularizou no país nas areias do Rio de Janeiro.

 

Campeonatos no Brasil

O primeiro campeonato brasileiro de FA era chamado de Liga Brasileira e começou em 2010. Na época, oito times participavam do torneio. Em 2012, a Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) foi oficializada, e o torneio passou se a chamar Campeonato Brasileiro de Futebol Americano. Após dois anos, com o aparecimento de novos times, a CBFA dividiu as equipes em duas divisões, a Superliga Nacional (primeira divisão) e a Liga Nacional (segunda). Em 2016 as duas se unificaram, formando um campeonato com 30 times de mais de 16 estados diferentes. Depois de cinco anos com esse formato, o campeonato voltou a ser dividido, a Liga BFA - Elite (primeira divisão) e a Liga BFA - Acesso (segunda).

As mulheres também marcam presença no esporte: desde 2014 elas disputam o Campeonato Brasileiro Feminino, mas só em 2018 o campeonato teve o apoio da CBFA.

 

A evolução do FA

Dos primórdios até hoje, o futebol americano no Brasil sofreu uma grande evolução. O ex-jogador de FA e atual treinador do Barueri Guardians, Alexandre Sagaz, acompanhou tudo isso de perto, desde a transição do flag football para futebol americano, quando os jogadores tinham que usar proteções de lona. Hoje, os times já possuem uma proteção adequada feita de policarbonato. Para Sagaz, a evolução não aconteceu somente na estrutura, mas também tecnicamente. Porém, o esporte ainda “tem uma dificuldade para se introduzir em uma monocultura onde o futebol predomina”. Além disso, para o técnico, a falta de apoio de empresas dificulta o crescimento dos times.

Para o jogador do Barueri Guardians Kadu Bonato, existe um preconceito por parte do público que enxerga o FA como porrada e pancadaria, o que dificulta ainda mais na popularização do esporte no país. Alguns clubes de futebol se inseriram no FA e formaram times, como o Corinthians Steamrollers, o Palmeiras Locomotives, o Vasco da Gama Patriotas, Flamengo F.A., o Santos Tsunami, entre outros. Sagaz disse que isso foi fundamental para a introdução do FA no Brasil e do surgimento de uma paixão do torcedor brasileiro.

A estrutura precária é um grande problema que prevalece. Apenas o Cuiabá Arsenal possui seu estádio próprio. Os demais, ou utilizam campos alugados ou cedidos pelos times de futebol. Além disso, em muitos clubes, são os jogadores que sustentam o time financeiramente, pagando uma mensalidade para arcar com os campeonatos e os treinamentos. Segundo Bonato, apenas o Atlético Mineiro não cobra mensalidade de seus atletas. “Quem joga, é muito mais por amor do que profissionalmente”, afirma o jogador do Guardians.

Mas a partir desse ano o campeonato brasileiro passou a ter mais visibilidade do que nunca. Agora, no intervalo dos jogos da NFL, a ESPN mostra lances dos grandes jogos que aconteceram na rodada do CBFA. O canal que comanda a transmissão do esporte no Brasil irá transmitir todos os jogos da fase final do campeonato deste ano. E, aos poucos, o futebol americano vai ganhando seu espaço no meio de uma cultura monopolizada pelo esporte jogado com os pés ao invés das mãos.

 

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