Concessão do Pacaembu é tema de cobertura do Portal de Jornalismo

 

A equipe do Portal de Jornalismo da ESPM foi ao Pacaembu falar com seus frequentadores verificar o que eles acham do projeto de privatização.  (foto; Wivyanne Leiso)

A equipe do Portal de Jornalismo da ESPM foi ao Pacaembu falar com seus frequentadores verificar o que eles acham do projeto de privatização. (foto; Wivyanne Leiso)

 

Acesse aqui a cobertura fotográfica da equipe:

Na última quinta-feira (dia 30/8), a Câmara dos Vereadores aprovou a cessão do complexo do Pacaembu à iniciativa privada. O vencedor do edital a ser publicado ainda este ano deverá oferecer um modelo de negócios sustentável ao complexo, além de um projeto de intervenção urbanística para possíveis reformas. Os shows serão liberados.

O então Projeto de Lei do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), pedia  que o estádio e o complexo esportivo ficassem a cargo da iniciativa privada por no mínimo 10 e no máximo de 35 anos, que se tornasse em uma arena multiuso e cujas reformas respeitassem as regras de proteção do patrimônio, visto que o local é tombado.

Uma das justificativas para a privatização do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho seria que o equipamento não arrecada o mesmo desde que os clubes da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Sport Club Corinthians inauguraram suas próprias arenas. A prefeitura gasta R$ 9 milhões anuais na manutenção do lugar.

A área total, de 50 mil metros quadrados, contém o estádio, quadras de tênis e futsal, ginásio poliesportivo e piscina. O clube oferece diversas atividades gratuitas, como natação, futsal, handebol, artes marciais, dança de salão, atividades recreativas e culturais, condicionamento físico, yoga, pilates, treinos funcionais e aeróbicos e alongamento. Há também duas quadras de tênis para locação (R$122,00 por hora).

Todos os moradores da cidade podem se associar ao clube. Para isso, é necessário somente portar documento original com foto e comprovante de residência. Feito o cadastro, o associado só precisa apresentar a carteirinha para se beneficiar do espaço.A equipe do Portal de Jornalismo da ESPM foi ao Pacaembu falar com seus frequentadores verificar o que eles acham do projeto de privatização.

 Por Walter Niyama (3º semestre)

Frequentadores ressaltam infraestrutura

O estádio do Pacaembu tem capacidade para receber até 40 mil torcedores em dias de jogos. Esse número é reduzido drasticamente nos períodos onde não há eventos esportivos, shows e atividades de grande proporção.

São justamente nesses dias que muitas atividades são oferecidas ao público em geral. Ambientes comuns são desfrutados pelos frequentadores que apreciam essa liberdade e as alternativas disponibilizadas.

Um dos espaços utilizados pelos paulistanos é a pista de caminhada que contorna o campo de futebol, aberta pela Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo. A utilização é permitida mediante cadastro pessoal e é gratuito. Nossa equipe conversou com diversos frequentadores que temem perder essa gratuidade.

Para Natália Prado, 31 anos, que participa semanalmente das aulas de ginástica, privatizar não é a melhor opção: “Não gostaria que fosse privativo. Pois está bem conservado. Acho que os frequentadores não vão gostar, assim como eu. Isso aqui é de todos”, reclama.

Shows

Além de atividades esportivas, o Pacaembu já abriu as portas para grandes shows. Importantes nomes da música nacional e internacional já passaram pelo palco do estádio, um deles foi o da cantora Tina Turner em 1988.

Desde 2004, porém, shows estão proibidos no estádio. A associação Vila Pacaembu, formada pelos moradores do local, conseguiu judicialmente o impedimento, alegando o barulho excessivo.

Jaqueline Santos, 52 anos, aprova a privatização e defende mais eventos como esse: “O show da Tina foi muito legal. Foi contagiante. Quero isso sempre. Só privatizando mesmo”, afirma.

 Por Wivyanne Leiso (1º semestre)

 Privatização do Pacaembu divide opinião dos frequentadores

A funcionária da Banca Pacaembu, localizada na Praça Charles Müller, Bruna Moussa, acredita que com a privatização do complexo, as carteirinhas do clube deixariam de ser gratuitas. “Isso acaba sendo penoso. Esse é um dos poucos ambientes abertos para pessoas que não possuem muita renda”, diz.

Mesmo ressaltando que a população costuma quebrar os equipamentos sociais, defende a gratuidade que o complexo público representa: “Você vai estar tirando o direito de algumas pessoas que não tem dinheiro, como a maioria da região do Pacaembu tem”, complementa.

Mas há outras pendências, segundo Bruna: “Muita gente nem sabe sobre o clube, outras não sabem onde fica a entrada, e os guardas acabam sendo estúpidos com o público.” Além disso, ela diz que não há fiscalização na piscina e falta salva-vidas, para a segurança dos usuários. Além disso, faltaria energia nos postes de luz e policiamento.

Diferente de Bruna, outros moradores reclamam da desorganização ao redor do estádio e acreditam que a privatização seja uma solução para o bairro, como o caso de Eric Ford, morador do prédio em frente à praça Charles Müller, que disse ser a favor da privatização do estádio. “Atualmente, a gestão do dinheiro está muito ruim. O estádio (sic) precisa saber usar melhor o dinheiro que ganha”, avalia.

Já Tina Silva Cruz, 26 anos, atleta e aluna de judô, treina diariamente no Pacaembu, diz ter uma ligação intensa com o estádio: “Amo esse lugar. Vivi momentos importantes aqui. Luto judô e mesmo machucada venho treinar, pois encontro paz. Fico indignada com essa privatização, pois estou aqui desde 2011 e não vou ter mais como treinar”, lamenta.

Celso Roberto Gonçalves, 45 anos, bombeiro civil do Museu do Futebol, trabalha no Pacaembu há nove anos. Gonçalves fala um pouco de sua experiência ao chegar pela primeira vez para trabalhar: “Foi mais do que bom, foi sensacional. Já era sócio do clube e vinha sempre caminhar e mergulhar na piscina”. Para ele a privatização apresenta postos positivos: “Se isso acontecer, vai gerar muitos empregos”, comemora.

Adão Aparecido Rocha, 62 anos, vendedor de sorvetes há mais de 15 anos na região, vê o Pacaembu como um lugar sossegado para trabalhar e questiona a privatização: “Aqui está bom assim, não quero que mude. Senão, não vou poder mais trabalhar”, lamenta.

Para Natália Prado, 31 anos, que participa semanalmente das aulas de ginástica, privatizar não terá a aprovação dos frequentadores: “Não gostaria que fosse privatizado, pois está bem conservado. Acho que os frequentadores não vão gostar”, reclama.

Por Franciellen Rosa, Mário Garcia e Marcelo Nogueira (2º semestre)

Neston, a energia de um simpático anfitrião

O vigilante Wediston da Silva, apelidado de Neston, que trabalha há 10 anos no Pacaembu. (foto: Wivyanne Leiso)

O vigilante Wediston da Silva, apelidado de Neston, que trabalha há 10 anos no Pacaembu. (foto: Wivyanne Leiso)

O vigilante Wediston da Silva, apelidado de Neston, recebeu equipe do Portal de Jornalismo da ESPM e guiou toda a visita às dependências do clube. Há 10 anos trabalhando nas dependências do Estádio e do Clube, Neston contou detalhes sobre a infraestrutura, o Museu do Futebol, espaços de uso do clube e relação com a Associação Vila Pacaembu.

Wediston diz gostar muito de trabalhar no Estádio – são 10 anos trabalhando na segurança. Em todo esse tempo de trabalho, seu único arrependimento foi não ter tirado foto com o Neymar no início de carreira, quando ainda jogava no Santos.

Disse não ser a favor da privatização, “pois gosta muito da gestão atual, e não gostaria que o acesso fosse limitado à população”. opina.

 Por Luiza Consul e Nathalia Oliva (2º semestre)

 

 

 

 

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