Profissional de Educação Física analisa dedicação de atletas russos

Entrevistas

Anna Karolina

Neste ano, a Rússia será o centro dos holofotes do meio esportivo, já que, pela primeira vez, receberá uma Copa do Mundo. No entanto, a ligação da Rússia com o esporte, em geral, vai muito além de ser a sede do Mundial: o país já ganhou cerca de 392 medalhas nas últimas 6 edições (desde 1994) dos Jogos Olímpicos, sendo 141 de ouro.

O professor de Educação Física, Marcos Eugenio Lucio,38 anos, passou dois meses em uma instalação esportiva, em Moscou, e relata para o portal os segredos da grande evolução esportiva deste país.

Portal de Jornalismo: O período que você passou na Rússia permitiu observar grandes diferenças nas preparações físicas de um atleta local, em comparação a um atleta brasileiro. Qual a maior diferença que você observou?

Marcos: A primeira grande diferença é o suporte multidisciplinar que o aluno recebe desde a infância. Eles trabalham com a preparação a longo prazo e possuem um aparato científico gigantesco que completou 100 anos, agora, no mês de fevereiro. Toda a preparação é monitorada desde cedo. Já, no Brasil, não damos a devida atenção à preparação física a longo prazo, infraestrutura, suporte aos nossos atletas e principalmente as crianças que deveriam ser os futuros campeões.

Portal de Jornalismo: A preparação é levada muito a sério no país, você pode nos contar um pouco de como é o dia a dia de um atleta russo?

Marcos: Lá existe um sistema conhecido como diário do atleta. Todos os dias é anotado tudo o que o atleta faz. Peso, temperatura, quantidade de peso carregado, repetições, ciclo menstrual. Fora os preventivos de lesão, como tratamento com fisioterapeuta, dentista, médico e massagem. Existem também os equipamentos de filmagem onde são corrigidos os erros, então um atleta é monitorado 24 horas.

Portal de Jornalismo: Na sua opinião, o clima é um dos grandes inimigos da preparação de um russo para grandes eventos esportivos?

Marcos: O país leva tanto a sério ser atleta, que lá não existe desculpa. Um exemplo disso é a cátedra, que, na verdade, é um centro olímpico de remo, onde eles construíram um barco que fica dentro de um ginásio com água simulando um rio, e eles treinam dentro desse simulador. Para o triatlo, os atletas correm em uma garagem de um prédio. Eles pintaram a garagem como uma pista e lá os atletas treinam.

Portal de Jornalismo:  Você, como professor de Educação física, sabe que a preparação psicológica de um atleta é uma das partes fundamentais para o desenvolvimento e a preparação psicológica de um atleta russo é totalmente diferente do atleta brasileiro. Por que?

Marcos: Porque eles são diferente de nós. Nós somos mais emotivos, choramos, depositamos crenças em religiões, mas tudo isto é cultura. Eles já são mais frios e preparados desde cedo para ter uma postura igualmente fria, independente do resultado. Dizem, por lá, que eles também são assim devido aos períodos de guerra pelos quais passaram.

Portal de Jornalismo: Quais são suas próprias conclusões sobre tudo o que viu e aprendeu na Rússia durante o tempo em que passou lá?

Marcos: Que a Rússia tem um povo muito focado no que faz. Fiquei impressionado com a dedicação dos professores aos estudos. Professores com 30,60 e 80 anos de idade, e todos com a mesma vontade em atingir os melhores resultados. Fiquei impressionado em conhecer um país em que tudo funciona, um povo que, mesmo com a neve, sai cedo para trabalhar sem reclamar. A atenção que é dada aos professores que, por contribuir com o país são agraciados até mesmo com um apartamento, por exemplo.

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