Renovar jornalismo inclui parceria com a sociedade, indica seminário

Campus

Antonio Rocha Filho

Sofia Nunes - 2º semestre de Jornalismo

Wivyanne Leiso - 1º semestre de Jornalismo

Em tempos de crise na produção do jornalismo, divulgação de notícias falsas (fake news), desconfiança, censura, ampliação dos perigos de exercer a profissão e crise dos modelos de financiamento, quais são o espaço e as possibilidades que os jornalistas encontram atualmente? Essas e outras questões referentes à manutenção da democracia – e, especialmente, à importância exercida pelo jornalismo nesse contexto –, foram os pontos norteadores do 1º Seminário Internacional de Jornalismo ESPM & Columbia Journalism School, que apontou o estabelecimento de uma parceria da imprensa com a sociedade como um dos caminhos para a expansão dessa área.

O evento ocorreu em 9 de outubro na ESPM-SP, com a presença do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto e do jornalista Steve Coll, reitor da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia. Ao final, a coordenadora do Mestrado Profissional em Produção Jornalística e Mercado (MPPJM) e da Graduação em Jornalismo da ESPM, Maria Elisabete Antonioli, encerrou as atividades destacando que essa carreira é desafiadora e precisa de renovação constante.

A coordenadora do Mestrado Profissional em Produção Jornalística e Mercado, Maria Elisabete Antonioli, durante o seminário. Foto: Thaynah Silva

Dentre essas possibilidades de renovação, ela apontou que hoje se estabelece com força cada vez maior a relação entre os cidadãos, o jornalismo e suas novas formas de financiamento. “A sociedade precisa entender o valor do jornalismo e dar suporte à sua realização. Seja por meio de apoio público, por assinaturas, por doações diretas, outras formas de financiamentos ou respaldo. Não há um caminho definido para isso. Cabe à sociedade decidir que modelo de jornalismo quer financiar e como.  Para tanto, é fundamental investir na educação das novas gerações, dos leitores e jornalistas”, disse.

Antonioli também ressaltou a importância do seminário para a vida prática dos jornalistas. “Eventos como este são relevantes tanto para o jornalista profissional, recém-formado e estudante de jornalismo, pois trazem à discussão temas da atualidade, com a reflexão sobre o fazer jornalístico.”

Dulcilia Helena Schroder, professora do MPPJM, da ESPM, complementou que os desafios se encontram no processo de transformação do jornalismo em si, na dificuldade imposta em conciliar uma produção de relevância social com a necessidade de sobrevivência nesse novo meio volátil, consumista e tomado pela divulgação de notícias falsas.

Investigação

Os temas tratados no seminário fazem parte da rotina da profissão e muitas vezes tornam-se grandes desafios no dia a dia. Jornalistas do mundo todo se utilizam de recursos midiáticos para a propagação de notícias e precisam realizar uma apuração satisfatória durante o preparo da mesma. Para o jornalista Flávio Ferreira, da Folha de S. Paulo, presente na plateia do seminário, a apuração aprofundada é o destaque do verdadeiro jornalismo. “Todo jornalista tem que ter vigor na apuração, tem que investigar. O que diferencia o jornalismo investigativo do jornalismo com cobertura diária é o método utilizado”, declarou o jornalista.

Segundo Mariana Matos, jornalista e radialista que trabalhou na revista Caras, eventos como esse trazem profundo conhecimento e ajudam a se redescobrir na profissão. “Procuro fazer tudo aquilo que aprendi na faculdade, mas no mercado de trabalho é diferente. Ouvir essas coisas está sendo bom, assim vejo se estou fazendo a coisa certa”, reflete Mariana.

As palestras também tiveram bom aproveitamento para Luciana Fraga. “Vivemos um momento delicado. O papel da mídia é um tema que deve ser debatido sempre. E aqui isso aconteceu. Muito bom o teor evento”, ressaltou a jornalista formada há quatro anos e que trabalha com comunicação corporativa.

Para a jornalista Maria Paula Carvalho, o principal obstáculo que o jornalismo brasileiro vai enfrentar, principalmente em 2018, é a rigidez da legislação eleitoral do país. “Acho que o Brasil tem uma legislação eleitoral que é bastante rígida, que continua em voga ainda com alguns princípios de quando a gente tinha um governo não tão democrático. Isso, em alguns momentos, acaba causando dificuldade para os jornalistas, em razão de a lei ser muito estrita com o tempo de exposição, com relação à isonomia de todos os candidatos, independentemente de representação no Congresso Nacional.”