Semana Cultural une diversas tendências artísticas

Campus

Antonio Rocha Filho

A V Semana Cultural, promovida pelo Centro Acadêmico 4 de Dezembro (CA4D), da ESPM, trouxe debate, teatro, cinema e sarau de bandas. Uma das atrações, “Graffiti: uma arte pública e democrática” contou com a presença de alguns convidados especiais, como Mundano, Chivitz, Rui Amaral, grafiteiros, Regina Monteiro,diretora de Paisagem Urbana da EMURB, entre outros, falando principalmente sobre a questão da Lei Cidade Limpa e a arte pública.

 

 

 


A Lei Cidade Limpa entrou emvigor em janeiro de 2007 no município de São Paulo. O intuito é eliminar a poluição visual de propaganda por outdoors, anúncio nas fachadas dos imóveis públicos e privados. Regina Monteiro disse que as pessoas ainda não falam muito sobre a lei e agradece ao CA4D pela oportunidade: “A ESPM foi a primeira faculdade que nos convidou para falarmos sobre a ‘Cidade Limpa´”. As fotos dos prédios, ruas e avenidas onde a retirada das peças publicitárias já pode ser percebida, chamam até hoje a atenção de todos. “O processo de eliminação da publicidade exterior ainda acontece e a multa gira em torno de R$ 10 mil para os comerciantes e anunciantes”, diz Regina.

Para muitos, grafite é pichação. No entanto, para os grafiteiros que vão para as ruas pintar muros como forma de expressão, o grafite é “arte ocupando um espaço urbano”, diz Rui Amaral.Mundano, grafiteiro e ex-aluno da ESPM, fala sobre o preconceito que boa parte da população tem com a arte pública: “Noventa por cento da população nunca foi em exposição de arte pública. O grafite está banalizado.” Além de colorir murais pela cidade, Mundano desenvolveu o projeto “Parede Viva”, que está transformando as paredes da ESPM em murais de arte urbana.

“’Cidade Limpa’ é bom para o grafiteiro, pois recicla lugares públicos, mas também prejudica quem quer fazer muralismo”, diz Chivitz. Para fazer esse trabalho levam-se horas para pintar, devido à grande dimensão dos muros. Além disso, o custo das tintas é alto e é difícil encontrar patrocinadores que se identificam com a arte urbana. Na opinião dos grafiteiros, quando o grafite ocupar espaço para ser autorizado e entendido pelo governo e pela sociedade, os patrocinadores aparecerão. “Estamos nas mãos do marketing das empresas”, diz Rui Amaral, grafiteiro há 30 anos.

A arte pública está crescendo dentro e fora do Brasil. Artistas viajam para o exterior e mostram suas ideiase pontos de vistas sobre o mundo em diversos países. Contudo, há governos estrangeiros que beneficiam denunciadores de grafiteiros, como acontece na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Mostrar a arte em paredes e muros é uma forma de expressar ideias e ocupar espaço, sem banalização, conclui a maioria. Por fim, o que os grafiteiros querem é interagir com a sociedade pelas cores e formas, criando mais harmonia nas ruas e avenidas e deixando de lado a cor cinza que representa a cidade de São Paulo. “A arte representa a vida”, finaliza Julio Dojcsar.

Teatro-narrativo

Outra atração que ocorreu durante a Semana Cultural foi a apresentação da peça teatral “Entre Amar e Desamar”, encenado pelo Ninas Núcleo Experimental. O grupo retrata nas falas os temas que se referem à maternidade, à traição, à desilusão, ao amor e tudo o que passa no ambiente feminino.

A montagem com personagens tiradas dos contos de Machado de Assis: “Uns Braços”, “Mariana”, “Cinco Mulheres” e “Casada e Viúva” mostra quatro mulheres com “personalidades e estilos de vida diferentes, mas que quando se encontram no palco, se completam em uma única atmosfera”, contou Rubia Konstantyni, que completa o elenco com Liana Poiani, Maria Paula Pessoa e Rubia Reame.

O grupo propõe estudar teatro-narrativo das histórias machadianas. Apesar das falas das personagens serem tiradas dos textos do autor, as atrizes demonstram as próprias vidas e o modo de ser e pensar quando interpretam as mulheres de Machado de Assis.

O cenário, para representar um lugar agradável, contém sempre um objeto que representa cada nicho, criando os cômodos de uma casa, isto é, a cama para o quarto, a planta para a varanda, a vitrola para a sala e a mesa para a cozinha.

No final da apresentação as personagens com os espectadores fazem uma mini confraternização com o intuito de compartilhar experiências e aproximar pessoas. “Temos que olhar nos olhos daqueles que nos assistem”, diz Rubia Konstantyni.

Carolina Junqueira (2º semestre)

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