Um terço dos desempregados do Brasil tem menos de 25 anos, informa a OIT

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Paulo Ranieri

Por Gabriel Wainer

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou, em novembro, relatório intitulado “Tendências Globais de Emprego para a Juventude 2017”, que traz o alarmante dado de que há, no mundo, mais de 70 milhões de jovens (pessoas com idade entre 16 e 25 anos) fora do mercado de trabalho. No Brasil, a taxa de desemprego desta camada da população atingiu o maior nível em 27 anos: 30%, que representam quase quatro milhões de brasileiros. A porcentagem é o dobro da média mundial e equivalente ao índice dos países árabes.

A estudante do curso de Turismo da FAM, em São Paulo, Beatriz Araújo, de 23 anos, é parte da estatística. “Desde que saí do meu último estágio, no final do ano passado, não consegui vaga em lugar nenhum”, afirma a jovem, que teve contrato de estágio encerrado em outubro de 2016 numa agência de turismo e não foi efetivada no cargo. “Nenhum dos 3 estagiários foi efetivado. A agência preferiu encerrar o contrato e renovar os estagiários porque tem menos custo”, explica.

Beatriz Araújo, 23. Desempregada há mais de um ano. Foto: Gabriel Wainer.

Recessão é igual a desemprego

Para o economista Carlos Schad, mestre em economia pela PUC-SP e consultor independente especializado em atendimento e treinamento de funcionários, a justificativa apontada por Beatriz procede e é produto da recessão econômica aliada à instabilidade política e jurídica pela qual o Brasil passa no momento. “Os resultados econômicos têm impacto direto na empregabilidade de um país. Simplificando bastante a relação de uma coisa com a outra, quando há queda do PIB há queda dos empregos, sobretudo dos jovens, que ganham menores salários e desempenham funções mais básicas dentro das empresas”, informa.

Cruzando os dados oficiais do governo brasileiro e a pesquisa da OIT, comprova-se a relação exposta por Schad. Em 2014, quando o PIB ainda era positivo – houve crescimento de 0,5% da economia -, a taxa de jovens desempregados no País era de 16,1%. Em 2015, quando houve grave retração do crescimento – PIB de -3,77% -  a taxa subiu para 20%. No final de 2016 o índice alcançou os 27,1% e, agora no final de 2017, os 30%.

Embora o dado seja o maior dos últimos 27 anos, Schad é otimista. “Tão importante quanto observar o valor final do índice é prestar atenção na evolução do mesmo”, analisa. De acordo com o economista, os primeiros indícios de uma recuperação econômica já estão evidentes para o mercado. “O emprego, no entanto, é o último indicador econômico a melhorar em qualquer economia do mundo. A melhora é lenta e gradual”, observa. “Podemos perceber que já há uma queda do avanço do desemprego entre jovens, por exemplo. Fico mais preocupado quando há o aumento de 7 pontos percentuais – como foi de 2015 para 2016 – do que quando o crescimento é de 2 p.p., do ano passado para este”, avalia.

Qualificação não garante ocupação

A estudante de engenharia química na Faculdade Oswaldo Cruz Stela Poli, de 25 anos, vem procurando emprego há mais de um ano, sem sucesso. “Por mais que pareça estranho, sinto que sou qualificada demais para as vagas que estão disponíveis e, aí, as entrevistas e os envios de currículo não surtem efeito”, reclama.

Stela já é formada em administração de empresas e fala, além do português e do inglês – “que não é diferencial nenhum hoje em dia” – alemão e francês com fluência. Fez, ainda, uma extensão de sua primeira graduação no INSEAD, reconhecido instituto europeu de administração de empresas com sede em Fointanebleau, na França. Mesmo assim, é parte dos 30% de jovens que não conseguem trabalho no Brasil.

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