“A verdade ainda vale a pena”, afirma diretora de fact-checking

Professores, alunos de Jornalismo e de TECH na palestra de Cristina Tardáguila (à direita, de blazer negro e branco), diretora da Agência Lupa de checagem de dados. (foto: Mateus Lemos)

Professores, alunos de Jornalismo e de TECH na palestra de Cristina Tardáguila (5a pessoa da primeira fileira, de roupa negra e branca), diretora da Agência Lupa de checagem de dados. (foto: Mateus Lemos)

Nesta quarta-feira (5), professores, alunos de Jornalismo e de TECH receberam Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa de checagem de dados, que tratou da importância de combater as notícias falsas através do método de fact-checking. A palestra ainda teve a participação dos professores Silvio Henrique Barbosa, de jornalismo, e Fabricio Barth, de TECH.

O fact-checking surgiu em 1991 no escritório da CNN em Washington. Brooks Jackson o criou com o objetivo de checar se era ou não verdade as palavras ditas dos potenciais candidatos na televisão em rede nacional e ao vivo. No Brasil, a Agência Lupa é a primeira empresa de notícias especializada em fact-checking.

A ideia surgiu em 2014, quando Cristina era da subeditoria de política do jornal O Globo. “Estávamos em época de eleição presidencial e me veio na cabeça checar cada frase de cada candidato e dizer se era verdade ou não”, explicou Cristina.

O fact-checking

O fact-checking no Brasil ainda está engatinhando. Segundo a jornalista, a imprensa brasileira publica e compartilha notícias de qualidade muito baixa e precisa de mão de obra. “O jovem brasileiro precisa ser um cidadão ´checador’ e ciente. O fact-checking é importante para democracia, para o leitor e é comercialmente interessante”, afirmou.

Pensando nisso, a empresa criou o projeto Lupa Educação, que visa informar os estudantes por meio de palestras sobre as novas maneiras de entregar e apurar jornalismo. Além disso, a ideia anseia fazer com que os alunos presentes se apaixonassem pelo projeto de checagem de dados e não caiam em notícias falsas.

Cristina ainda ressaltou sobre os pontos de relevância que devem ser considerados para que seja feita a análise do fato e dos interesses civil e comercial que o fact-checking apresenta, dado que alguns veículos pagam para que seja feita a checagem de informação. “Existe um mercado gigante para o checador”, conta.

Fake News

Barbosa revelou receio sobre o papel do jornalista na sociedade atual. “Os jornalistas estão perdendo a função de mediadores, pois cada um acaba postando qualquer ‘bobagem’ na internet”, disse.

O mercado de Fake News (notícias falsas) mostra-se como uma forma fácil de ganhar dinheiro, já que está crescendo entre os leitores nas redes sociais. Por causa disso, a qualidade no conteúdo consumido está diminuindo e os leitores tendem a ficar menos informados e presos a fatos sensacionalistas.

“A teoria da comunicação tem que ser revista já! Onde entram os jornalistas agora? Se a rede social está saturada de informações erradas é lá que devemos atuar”, exclamou Cristina na palestra. O professor de jornalismo Silvio Barbosa ressaltou que o fact-checking é a estrutura e a base da apuração e que é importante que o jornalista cheque a informação diariamente.

As expectativas para a ascensão das agências de fact-checking estão direcionadas para os próximos anos, principalmente para 2018, ano de eleições presidenciais. A diretora da Lupa acredita que cada vez mais os meios de comunicação terão a necessidade de apurar a veracidade do que é dito, enquanto que os leitores, terão o anseio de lerem uma fonte confiável.

 Por Mariana Netto, Mateus Lemos, Nathalia Oliva e Sofia Nunes

(1ºsemestre)

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