Alunos relatam bastidores da realização da revista Plural 11

edição 11 - opressão - opressão

Renato Essenfelder

Alunos participantes da equipe da Plural 11 | Foto: Stéfani Inouye/CeJor-ESPM

Por Matheus Lemos, Pietro Otsuka e Raul Moura

 

»»»“Aí sim fomos surpreendidos novamente.” O famoso bordão de Zagallo, ex-técnico da seleção brasileira de futebol, descreve bem como a equipe da Plural se sentiu nesta primeira experiência para reunir as atividades experimentais da revista Plural, da oficina de Produção Multiplataforma e do Laboratório de Formatos Híbridos (LabFor) – três núcleos distintos de trabalho dentro do Centro Experimental de Jornalismo (CeJor) da ESPM. Inicialmente ficamos apreensivos, mas logo nos animamos com as oportunidades que se abriam diante de nós.

A reunião das três oficinas teve por objetivo proporcionar uma experiência multimídia para a revista, estendendo seu conteúdo para redes sociais e outras plataformas, além de fazer experimentos com jogos e vídeos em 360 graus. 

O tema “opressão” foi definido logo no primeiro encontro. A partir dele os alunos das três oficinas pensaram em conjunto as pautas e formas de abordar o tema considerando várias mídias e formatos.

Outra novidade da edição foi a estreia da figura do “editor convidado”, um especialista chamado a debater com a equipe os temas da edição em curso. O cargo foi estreado por Pedro de Santi, psicanalista e professor da ESPM, da PUC-SP e da Casa do Saber, que falou sobre individualismo e o “dever” de parecermos felizes o tempo inteiro.

O “dever de ser feliz” foi tema de nossa matéria de capa. Outra reportagem mostra como o debate político está dificultado hoje em dia pela intolerância. As redes sociais deram voz a pessoas que não sabem discutir sem se exaltarem. Vinícius Lopes, do segundo semestre de Jornalismo, foi um dos repórteres dessa matéria. “Buscamos mostrar que o cenário de crise econômica, somado à falta de representatividade no campo político, fizeram com que as redes sociais se tornassem verdadeiros campos de batalha”, comenta.

Outra matéria que recebeu destaque na edição foi em relação ao preconceito socioeconômico, mostrando como a lógica da mercantilização da vida afeta especialmente os mais pobres. “Ao visitarmos o Hotel Cambridge [ocupação no centro da cidade que abriga 174 famílias], pudemos encontrar uma realidade diferente do que imaginávamos, desconstruindo aquele preconceito que existe em relação às ocupações em geral. Foi uma experiência incrível”, diz Juliana Nóbrega, do terceiro semestre. Essa pauta originou o primeiro vídeo em 360 graus da Plural.

Uma das formas de opressão mais em evidência hoje é a de gênero. O que é ser mulher numa sociedade marcada pelo machismo? Camila Santos, do terceiro semestre, participou da reportagem que aborda essa difícil questão. “A maior dificuldade foi decidir como abordar o assunto. Decidimos falar com especialistas e historiadores para entender o papel da mulher ao longo da história”, conta.

A discriminação aos negros também foi discutida pelos alunos. Jacqueline Aliandro, do terceiro semestre, acompanhou, com Thales Silveira e Victória Terra, o Sarau das Pretas, evento de declamação de poesias e de reflexões sobre o gênero feminino, a cultura e a ancestralidade negras. “Nós procuramos mostrar como a arte pode ser usada também como forma de protesto, para expor o preconceito que o negro sofre”, afirma Jacqueline.

Evento

A temática sensível desta edição da Plural também motivou a realização do debate “Precisamos Conversar: Hannah Baker e a Obrigação de Ser Feliz”, realizado numa iniciativa dos alunos da disciplina de Comunicação Corporativa, do quinto semestre de Jornalismo, em parceria com o CA4D, para divulgar o lançamento da revista. O evento discutiu a obrigação de ser feliz e o modo como a felicidade é buscada nos dias de hoje, estabelecendo uma correlação entre o assunto e a série “13 Reasons Why”, da Netflix, que aborda a questão do suicídio. “A série apresentou bem o problema, mas, a meu ver, foi longe demais”, disse o publicitário Tulio Girelli Rimi, um dos debatedores, que lamentou o  fato de sermos cobrados desde o nascimento para atender a expectativas irreais.

O psicanalista Eduardo Benzatti acrescentou que a insatisfação é constante no ser humano, e disse que “se nós vivêssemos em uma sociedade que não nos cobra a felicidade, seriamos muito mais felizes.”

Esta edição da Plural contou com três professores supervisores, Renato Essenfelder, editor da Plural, Cláudia Bredarioli, responsável pela oficina Multiplataforma, e André Deak, supervisor do LabFor, além de 23 estudantes de Jornalismo da ESPM, do 1º ao 4º semestres do curso.

Deixe Seu Comentário

*Preenchimento obrigatório.