Celebridades confundem fronteiras do público e do privado nas redes sociais e se superexpõem

Izabela Monaco

Julia Leite

Mariana Cafer

 

»»»Em uma atitude impensada, revoltado com a situação que vivia, de não poder ver seu filho e ter que pagar uma pensão em um valor que não concordava, Carlos Alberto da Silva, o “Mendigo” do “Pânico na TV”, publicou conteúdos em suas redes sociais que expuseram sua vida pessoal. Carlinhos tem 36 anos e conta que, mesmo sendo um profissional que trabalha na televisão, que preza por sua imagem, não se arrepende do que fez. “Às vezes eu acho que vale a pena eu colocar meu caráter em primeiro lugar e expressar minhas vontades e desejos, do que ficar fingindo e fazendo papel de santo”, diz.

 

O humorista mendigo, do "Pânico na TV"

O humorista mendigo, do “Pânico na TV”

O comediante usou o Twitter para manifestar sua revolta, “Quero ver meu filho, que saco!”, e a partir desse comentário a discussão se estendeu. A mãe e o avô da criança também usaram a rede social para discutir o assunto.

Mendigo fala que seu advogado o alertou e tentou controlar suas publicações nas redes sociais, e que o problema só foi resolvido mais tarde, na Justiça. “ Eu contornei a situação diretamente com a mãe do meu filho, após algumas brigas na Justiça, e hoje nós mantemos uma relação melhor”, conta.

A história de Carlinhos é comum nas redes sociais, mas quando ocorre com celebridades e subcelebridades, os conteúdos tomam proporção totalmente diferente. Por isso é fundamental o cuidado com a “persona virtual” e o trabalho de assessores que ajudam na construção da imagem de seus clientes.

A assessora de imprensa e professora do curso de jornalismo da ESPM-SP Francine Altheman explica que o trabalho de um profissional que atua com políticos e  celebridades é dificultado pela batalha de egos. “Quando eu assessorava um futuro candidato a deputado era muito difícil. Teve até um episódio em que ele tomou uma atitude errada, sobre a qual nossa equipe já tinha alertado, mas ele não escutou”, lembra.

Já sobre o trabalho com subcelebridades, Francine afirma que muitas vezes seus assessores têm que inventar pautas. “Imagine um ex-BBB. Depois que passou o tempo do programa ele não é mais interessante para o público, ele não gera mais pauta. Por isso, a gente vê que algumas histórias são inventadas, em conjunto entre assessorado e assessor, como términos e voltas de namoro.”

Além disso, Francine conta que a velocidade com que um conteúdo se torna viral e é propagado online é um fator que dificulta a recuperação da imagem. Em casos mais sérios a reputação do artista pode nunca mais ser recuperada. “Quando é publicado um conteúdo que não seja verdade é muito mais fácil, o famoso só tem que criar um plano com o assessor de imprensa para desmentir aquilo. Mas quando o fato realmente ocorreu, é um trabalho mais complicado, tem que ser elaborado um pedido de desculpas ou uma boa justificativa”, explica.

 

Amor e  Ódio 

Mas além de usarem as redes sociais para expressarem suas opiniões, as celebridades utilizam essa conexão para criar uma proximidade com seu público e aumentarem seus “seguidores”. Mas nem sempre isso acontece de forma positiva. É onde entram os “haters”, (do inglês “hate”, ódio). Eles são usuários das redes sociais que na maioria das vezes usam perfis falsos, ou anônimos, para propagar o ódio, com comentários ofensivos, agressivos, muitas vezes sem motivo aparente.

Renan Augusto, ex-integrante da banda Hori, tem haters, mas diz que não se abala com isso. “Não tenho problema nenhum, tanto com as críticas das pessoas maldosas como com as críticas que nos ajudam porque são as construtivas. Ter a humildade de olhar para o lado certo é um negócio bom”, pondera.

Rodrigo Capella, 34 anos, é comediante e ganhou reconhecimento na mídia  após passar pela MTV. Atualmente divide o palco com Dinho Machado no stand up “Comédia Preto e Branco a Cores!” e participa do Programa Sabrina Sato, na TV Record, onde tem espaço para mostrar o que faz de melhor: comédia. “Os momentos mais felizes que eu tenho nas redes são quando descubro um hater, mando algo que o deixará bravo e antes que ele responda eu bloqueio”, conta.

O comediante tem 159 mil seguidores no Instagram e em torno de 3.000 curtidas por foto. Ele também utiliza o Facebook e o Twitter para expor o seu trabalho e a sua vida privada.

A carreira e a vida pessoal de uma figura pública, exposta pela rede social, influenciara seus seguidores. A estudante de veterinária Julia Aruk deixou de seguir a “musa fitness” Gabriela Pugliesi depois de um vídeo postado em seu Snapchat incentivando comportamentos que levam a distúrbios alimentares. “Ela falava pras seguidoras mandarem fotos peladas para amigas, enquanto seguia uma dieta, e se você comesse algo fora do regime essa amiga iria postar essa sua foto sem roupa.”

Júlia ainda conta que depois do ocorrido a blogueira tentou se explicar, e disse que era apenas uma brincadeira, mas mesmo assim ela não gostou. “Não concordei com esse posicionamento e excluí a Pugliesi de todas as minhas redes. Ela tem que entender que muitos seguidores se inspiram em suas atitudes”, critica.

 

Fofoca 

Além dos próprios perfis de celebridades nas redes sociais, há páginas específicas para divulgar notícias e fofocas do mundo dos famosos. O Tricotadas é um desses perfis, que não revela a identidade de seus administradores e possui mais de 200 mil seguidores no Instagram. “Criei por ser apaixonada pelas celebridades, mas sem perceber foi crescendo muito rápido, até que virou minha ferramenta de trabalho”, diz a dona do perfil, que pediu para não ser identificada. Ela também afirma que, apesar da predominância dos posts  de exposição de celebridades, muitas vezes de forma negativa, nunca teve o perfil tirado do ar.

Fabíola Reipert, polêmica jornalista que  tem um quadro no programa Balanço Geral, na TV Record, chamado “Hora da Venenosa”, e que também possui um blog sobre celebridades no R7, não se esconde atrás de perfis anônimos de fofocas quando dá suas alfinetadas. Experiente, ela diz que pouco comenta de sua vida, apenas coloca notas em seu blog e os vídeos no seu canal de YouTube. “Tomo muito cuidado com o conteúdo que publico, pois as redes sociais podem ser um perigo.”

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário