Cruzada contra o antissemitismo

edição 07 - faces da fé - faces da fé

Da Redação

Anita Efraim

»»» O judaísmo é a religião monoteísta mais antiga do mundo. Conhecida como Antigo Testamento pela maioria das pessoas, a Torah é o livro sagrado do judaísmo, que conta toda a história do povo judeu desde a criação do mundo até a morte do grande profeta judeu, Moshé ou Moisés.

Judeus rezam em sinagogas e seus líderes religiosos são rabinos. Aquele “chapeuzinho” usado por pessoas rezando chama-se kippá, e a língua oficial de Israel, em que se fazem as orações, é o hebraico.

Vista de Israel, cuja fundação em 1948 deu origem à chamada Questão Palestina, polêmica até hoje | foto Anita Efraim
Vista de Israel, cuja fundação em 1948 deu origem à chamada Questão Palestina, polêmica até hoje | foto Anita Efraim

Mas há cisões dentro do judaísmo e muitos preconceitos entre seguidores da religião. “Na minha opinião o judaísmo é um combo: povo que vive uma filosofia de vida chamada judaísmo e que tem um vinculo quase que intrínseco com a terra de Israel”, afirma Lucas Lejderman, 33, que mora em Israel e estuda para ser rabino.

Lenderman afirma que há muitos tipos de crenças judaicas, talvez centenas. O Shabat, por exemplo, é uma das práticas mais conhecidas e é seguido de diferente formas. O que não muda é que ele tem início quando surge a primeira estrela na sexta-feira e dura até a noite de sábado e é o dia sagrado do judaísmo. A intenção desse dia é representar o dia em que D-us ( forma usada na religião judaica para não usar o nome Dele em vão), após toda a criação do mundo, descansou.

 

Religiosos x Ortodoxos

É comum confundir os termos “religioso” e “ortodoxo”. “Religioso” é quem tem práticas religiosas, independentemente da linha. A ortodoxia é uma delas. O estereótipo de judeu, aquele vestido de preto dos pés à cabeça e que usa chapéu e os “cachinhos”, chamados peyot, é um judeu ultraortodoxo.

Essa linha é a mais rigorosa em relação ao que manda a Torah. Para eles o Shabat, por exemplo, deve ser seguido exatamente da mesma maneira como era seguido há 2000 anos, sem usar fogo, energia elétrica, sem carregar nada (a não ser que se esteja entre quatro paredes), entre outras restrições.

Celebração do Iom Ierushalaim, dia da reconquista de Jerusalém | foto Anita Efraim
Celebração do Iom Ierushalaim, dia da reconquista de Jerusalém | foto Anita Efraim

Mesmo dentro da ortodoxia há níveis. Muitos ortodoxos encostam em pessoas do sexo oposto e vestem-se comumente. Os mais radicais têm casamentos combinados e não encostam nos seus noivos até a noite de núpcias.

Apesar de menos populares, existem outros movimentos religiosos, como os conservadores, também conhecidos como masorti. A intenção dessa linha é frisar a ideia de que é possível conciliar a cultura e as tradições milenares dos judaísmo com a civilização atual. O nome dessa linha vem da ideia de manter o judaísmo, mas adaptando-se à atualidade. Sendo assim, eles não deixam de cumprir tradições, mas o fazem de maneira diferente.

O outro extremo do judaísmo, ainda mais liberal, é o reformista ou progressista.  Os preceitos dessa linha são de que cada um é autônomo o suficiente para decidir como seguir o judaísmo.

A religião hoje enfrenta uma série de desafios. O antissemitismo cresce, especialmente na Europa. Além disso, os judeus têm de enfrentar as críticas a Israel. “O preconceito causado pela ignorância é um problema”, opina o historiador André Wajnberg, formado em história e geografia pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Mas, para ele, o grande desafio judaico hoje é outro: “Como ser judeu, carregando esta cultura milenar, e, ao mesmo tempo, ser um homem comprometido com os desafios do mundo moderno?”, questiona.

A relação entre judeus e Israel começa, teoricamente, antes mesmo de a Torah ser escrita, há mais de 2000 anos, quando D-us prometeu essa terra aos judeus depois que foram libertados da escravidão no Egito.

Entretanto, o Estado Judeu só se consolidou para o mundo depois do Holocausto, quando o exército de Hitler exterminou mais de 10 milhões de pessoas, entre eles, 6 milhões de judeus. Em 1948 foi criada oficialmente Israel, dando origem ao conflito que permeia a região até hoje.

À parte todas as guerras, o Estado, especialmente Jerusalém, é sagrado para as três grandes religiões monoteístas, por ser onde está o Kotel HaMaravi (Muro das Lamentações), o Santo Sepulcro, onde Cristo está enterrado, e o Domo da Rocha, uma das mesquitas mais sagradas para o islã.

 

Mitos e verdade

“Judeus são todos ricos” – esse é o mito mais difundido sobre seguidores da religião judaica.

André Wajnberg, historiador, conta que a lenda começou no período medieval. “Os judeus estavam proibidos de qualquer tarefa – possuir terra, trabalhar nela, ser soldado ou artesão. Por isso, os poucos que não eram miseráveis viraram banqueiros. Eram eles que cobravam os juros dos senhores feudais”. O historiador conta que esse estereótipo foi complementado na modernidade, quando os judeus eram comerciantes, pelo conhecimento de diversas línguas. “Essa ocupação, até a idade contemporânea, era uma das pouquíssimas permitidas aos judeus”, explica Wajnberg.

“Sempre fui muito estigmatizado por ser judeu. Mais de uma vez eu me vi em situações de pessoas me xingando por ser judeu ou fazendo generalizações e piadas de mau gosto”, conta Lejderman. Além disso, ele acredita que um dos motivos para o preconceito sejam os mitos que cercam a religião judaica.

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