Editorial: Revista Plural comemora cinco anos de diálogos e inquietações

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Administrador

renato essenfelder, editor da plural

Plural comemora, nesta sua décima edição, cinco anos de fértil e vigorosa existência. Como editor da publicação e professor de jornalismo, insisto sempre com os meus alunos para que persigam implacavelmente os clichês e os fulminem. Como um dos “pais”, contudo, desta criança, secretamente nutro o mesmo sentimento de todos os pais diante dos filhos que teimam em crescer e, com isso, mudar. Então peço licença poética. É inevitável dizê-lo: parece que foi ontem.

Parece que foi ontem que, em uma sala de aula comum, um seleto grupo de alunos se reunia comigo para discutir não só a pauta da primeira edição da Plural, mas sim a própria revista. Que cara queremos para ela? E que alma? O briefing da coordenação do curso e da própria direção da ESPM era claro: não deveríamos produzir nada com cara de “jornalzinho laboratório”, nada que fosse apenas “para constar”. Nossa revista deveria representar plenamente os valores do curso de Jornalismo, ser um espaço de debate aprofundado e plural, ético, criativo. Pertinente.

Sem falsa modéstia podemos dizer: conseguimos. Após essas dez primeiras edições, o conteúdo da revista fala por si. Abordamos uma grande variedade de temas, com uma enorme variedade de olhares – pois, a cada semestre, a equipe inteira de reportagem da revista se renova –, sempre a serviço dos fundamentos do bom jornalismo: encontrar boas histórias, apurá-las em profundidade e narrá-las da melhor maneira possível.

Por isso, quando o aluno André de Sena, que assina o texto sobre os cinco anos da Plural, perguntou-me sobre “uma edição favorita”, titubeei. Não se trata de correção política. Minha edição favorita são muitas, são todas, porque em todas colocamos o mesmo empenho e preocupação – o mesmo número de madrugadas, fins de semana e feriados.

Como todo filho que cresce, é claro que a Plural também passou por mudanças nos últimos anos. Esse é, aliás, o espírito de uma revista-laboratório: experimentar. Esta edição, por isso, conta com uma grande quantidade de conteúdo na internet, sinalizado pelos QR Codes ao longo das próximas páginas. Hoje, além de reportar para o meio impresso, gravamos vídeos, construímos sites e planejamos a incorporação de tecnologias de realidade aumentada para os próximos números.

A tecnologia, contudo, jamais ofusca nossa missão pública. Por isso esta edição trata de um dos temas mais importantes do século: a crise de refugiados, cuja escala já é sem precedentes. Além da opinião de especialistas sobre o tema, nas reportagens a seguir trazemos histórias de vida arrepiantes de quem teve de, do dia para a noite, fugir de casa, migrar para um país estranho, recomeçar.

Estamos permanentemente inquietos. Quais são as mais urgentes histórias para contar, hoje, e como podemos narrá-las da melhor forma são duas questões que nos afligem cotidianamente.  Continuaremos inquietos, com mais perguntas do que respostas a ofertar. Afinal, somos jornalistas. E temos apenas cinco anos de idade.

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