Em 1968, José Hamilton Ribeiro perdeu a perna no Vietnã

1968, 50 anos depois - edição 12 - 1968, 50 anos depois

Giovanna Lunardelli

Por Peter Frontini

»»»José Hamilton Ribeiro já havia encerrado sua matéria sobre a guerra do Vietnã e planejava voltar ao Brasil em 20 de março de 1968 quando, a pedido de seu fotógrafo, o japonês Shimamoto, decidiu ficar um dia a mais no Vietnã para tirar a foto que seria a da capa de sua reportagem para a revista “Realidade”.

Eles estavam acompanhando um esquadrão do Exército norte-americano no front de guerra quando ouviram uma explosão. José e um soldado correram na direção do ferido, e, nesse momento, o repórter pisou em uma mina terrestre que arrancou sua perna esquerda e feriu a direita.

“A calça do lado esquerdo tinha desaparecido. A visão foi terrível. O sangue brotava como de torneiras. Depois do joelho, a perna abria-se em tiras, e um pedaço largo de pele, retorcido, estava no chão. Olhei em volta e não achei meu pé”, escreveu o repórter em sua premiada matéria na “Realidade” que narrou o episódio (reproduzida na imagem ao lado, no alto).

Os dias seguintes, em um hospital do Exército americano no Vietnã, foram o que José descreveu como os piores de sua vida, recheados de dor, morfina e náuseas. “Meu moral é zero: sofro dor o tempo todo, não posso comer, estou obrigado a uma posição fixa, e sem possibilidades de contato com ninguém”, escreveu ele.

Após estabilizado, José terminou sua recuperação em um centro de reabilitação de Chicago (EUA) e voltou ao Brasil quatro meses após chegar ao Vietnã, já com uma prótese.

Considerada um divisor de águas na imprensa brasileira, a revista “Realidade” floresceu em plena ditadura militar e marcou época com um time de jornalistas talentosos, autores de textos memoráveis que até hoje inspiram repórteres | Foto: Reprodução de Internet

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