Vale tudo: “subcelebridades” adotam métodos heterodoxos para brilhar

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Alex Shim

Eduardo Pascoal

Felipe Capano

Silvio Junior

 

»»»Em um mundo de muita exposição e pouca privacidade, reality shows são febre na TV, atingindo picos de audiência. Segundo a revista Veja, o último programa “BBB” atingiu entre 30 a 35 pontos de audiência em São Paulo. Considerando que um ponto equivale a 198 mil telespectadores, a audiência média do reality foi de 6,5 milhões de pessoas só em São Paulo. Por isso esse tipo de programa transforma seus participantes em personalidades instantâneas. Mas muitas vezes por pouco tempo.

 

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Além de estrelar esses programas, as pessoas também fazem coisas inusitadas para aparecer, como tirar a roupa. Juliana Isen é um exemplo disso. Após ir nua aos protestos de 2015 e virar notícia, a modelo repetiu o ato no Carnaval deste ano e novamente estava presente nos portais. Outro exemplo é Geisy Arruda, que foi flagrada em sua universidade usando um vestido curto e protagonizou um vídeo que se tornou viral. Ela poderia ter se sentido incomodada pela divulgação, mas acabou se aproveitando do caso e se tornou conhecida na mídia. Usar o corpo, beleza e até o senso de humor são algumas das “armas” usadas para se promover.

Com a possibilidade de seus conteúdos “viralizarem”, as subcelebridades ganharam espaço na mídia, tanto no meio jornalístico como não jornalístico. Nos últimos anos isso ficou mais frequente, considerando que plataformas como Youtube e Instagram podem promover a imagem de pessoas desconhecidas com mais facilidade.

 

Dois lados 

Mas então o que são essas subcelebridades? Para a jornalista Renata Reif, que está há sete anos no IG e hoje é responsável pela editoria de Entretenimento e Cultura do portal, as subcelebridades buscam seus 15 minutos de fama, enquanto as celebridades têm um caminho mais longo. Além disso a jornalista comenta que muitas dessas subcelebridades não têm fundamento para se manter na mídia. “São aquelas mulheres que tiram a roupa em público, conseguem algum destaque até pela bizarrice do ato e depois desaparecem”, exemplifica. Para ela, as subcelebridades existem porque causam curiosidade nas pessoas e são mais acessíveis que atores consagrados.

A jornalista ainda ressaltou que há uma diferença entre celebridade e famoso. Ser célebre tem a ver com mérito e comprometimento da pessoa, sendo consequência de muito esforço e dedicação. Já a fama, Renata classifica como “momentânea e efêmera”.

A ex-participante do reality A Fazenda, atriz e repórter Renata Banhara ficou famosa instantaneamente com aparições em programas de destaque. Ela distingue o sucesso da fama, comentando que a fama é algo imediato em sua concepção. “A fama é diferente do sucesso. O sucesso é mérito de quem tem um caminho percorrido de um êxito muito grande, que requer esforço. A fama é um fato. As pessoas viram notícia por um feito”, pondera.

Ainda, para a repórter, são criados inúmeros famosos e personalidades por causa da necessidade de notícias constantes nos portais noticiosos “Como através da tecnologia a notícia precisa ser fresca e rápida, você precisa gerar muito conteúdo. Então tudo pode ser uma coisa famosa, porque os sites precisam de notícia, necessitam de informação o tempo todo – diferentemente de antigamente, quando as notícias vinham de revistas semanais que as pessoas esperavam. Hoje não, você abre seu computador e vê uma notícia nova”, completou a ex-reality.

Para Renata Banhara, vale tudo pela fama. Mas ela acredita que as consequências podem ser ruins: “Depende do foco. Vale tudo desde que você tenha estratégia de continuidade. Fazer algo se tornar público e depois não saber o que fazer com a fama é muito perigoso. Ser famoso é ter a vida aberta, exposta. O preço que se paga é alto”, afirma.

Tamires Peloso participou do Big Brother Brasil em sua 15ª edição. Atualmente dentista, Tamires desistiu do programa em 50 dias de participação. A ex-BBB demonstrou um incômodo com a alta exposição durante o programa, por isso requisitou sua retirada do reality.

Com um pensamento um pouco diferentemente de Renata Banhara, a ex-BBB acha que a fama não pode ser atingida a todo custo. “Para mim não vale tudo, participei de um reality show que me rendeu uma visibilidade e exposição enormes em pouco tempo. Mas se a pessoa estiver disposta a tudo, consegue se tornar uma celebridade, por exemplo com escândalos recorrentes, por mais que seja uma mídia não muito positiva”, conta.

 

Talento

Por outro lado, Álvaro Leme, colunista no portal R7, comenta que uma característica importante para se tornar famoso é ter talento. O jornalista acredita que se atinge a fama quando a pessoa se torna relevante, fruto de um trabalho ou do fato de mobilizar a mídia e atrair interesse. Leme comenta que uma subcelebridade busca a fama pela fama, sem o trabalho que as celebridades enfrentam. “Mas é possível que alguém considerado subcelebridade vire uma celebridade de primeira grandeza”, comenta o jornalista, citando o caso de Sabrina Sato, que começou no Big Brother e hoje é uma figura importante, “muito pelo seu carisma”, completou Leme.

O jornalista Jonathan Pereira que hoje tem uma coluna no portal IG, chamada Na TV, conta que as subcelebridades geram notícias que atraem o público. “Como notas com esses personagens dão um número grande de cliques comparadas a conteúdos de cinema ou teatro, os portais de internet acabam apostando nisso para manter sua audiência em alta, já que trabalham com metas e precisam atingi-las”, comenta.

Geisy - ego

Pereira diz ainda que para ser uma celebridade as pessoas precisam ser boas no que fazem, e estar em evidência pelo seu trabalho e não pela sua vida pessoal.

Misturando esses dois lados, pensando em sua vida ser o seu trabalho, o “anão universitário”, Pedro Carvallio, surgiu no programa Pânico na Band com uma fala simples que virou célebre, “errouuu”. Logo após, teve algumas participações no programa e passou a ser mais reconhecido, mas não é contratado pela emissora. Apesar disso, o estudante ressalta que tem um bom relacionamento com o canal.

“Eu ainda acho que não alcancei o mérito de ser famoso, tenho muito o que crescer ainda”, comenta. Além disso, Carvallio contou que tem um projeto de abrir um canal no Youtube, onde mostrará a sua vida, dia a dia, festas e baladas que frequenta e ainda responder perguntas e dúvidas do público. A ideia é que o projeto tenha o nome de “Meu Pequeno Mundo”. “Viso alcançar sempre mais”, completa.

Gabriela Mendes, participante da primeira edição do programa Are You The One Brasil, utilizou sua visibilidade imediata de forma parecida, mesclando-a com sua vida profissional. Ela conta que é designer de moda e atua na área, mas também desfruta das coisas que vieram com a maior visibilidade. “Foi bom, pois me chamam para vários trabalhos como modelo”, explicou. “Sou presença VIP em eventos como Lollapalooza e tenho parcerias fechadas com a Desperados, Famous, Grupo8, entre outros. “Sempre estou no mailing dos caras”, completou a designer.

Ciro Hamen, jornalista especialista no assunto, atualmente tem um canal no Youtube, O Brasil Que Deu Certo, que aborda o tema das subcelebridades, entre outros. Segundo ele, as pessoas buscam virar celebridades porque o mundo da fama parece mágico. E, assim como Renata Reif, o jornalista vê essas subcelebridades como sujeitos de fama efêmera. “Está na mídia por uma semana e logo é esquecido”, pondera.

Além disso, o jornalista observa que a internet é uma das grandes responsáveis pela fama de algumas dessas pessoas, especialmente as redes sociais.

O jornalista Álvaro Leme ainda comenta que existem assessores especializados em achar meios para os clientes chamarem atenção de profissionais da imprensa. O modo de se vestir é corriqueiro entre pessoas que querem aparecer, além disso muitos vão a eventos só para “causar” completou o jornalista. O fluxo e a necessidade de informação são grandes e os jornais pedem cada vez mais por matérias. E as subcelebridades se beneficiam dessa demanda constante.

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