Fios estão à solta na Vila: moradores relatam descaso e “estouros”

Emaranhado de fios na rua Dr. Álvaro Alvim. (Foto: Taís Haupt)

Emaranhado de fios na rua Dr. Álvaro Alvim. (Foto: Taís Haupt)

Não é de hoje que as ruas da Vila Mariana são emolduradas por fios do cabeamento aéreo. Emaranhados, amontoados e pendurados, os cabos soltos dos postes já foram incorporados ao cotidiano do bairro. A fiação passa a ser tratada com descaso pelos moradores, como mais um obstáculo no caminho de pedestres.

A moradora Elsita Luiza conta que frequentemente ouve “estouros do poste” em frente à sua casa. “Isso é reflexo do descaso da Eletropaulo”, comenta Cida De Aro, que diz ser comum ver fios espalhados pelas calçadas de sua rua.

A reportagem também notou novelos de fios pendurados pela Vila Mariana, deixados por profissionais da área de manutenção. Em toda São Paulo, há cerca de 69 mil km de cabeamento elétrico, distância que equivale a cerca de quatro viagens de São Paulo até o Japão.

Perigo

Como podem haver até 30 cabos por poste, parte deles pode escapar, derrubar árvores e matar pessoas eletrocutadas. Mesmo no chão, parte dessa fiação ainda é alimentada por energia elétrica. O contato com essas fontes representa grandes riscos à vida, causando desde falta de ar até a morte. O cenário se agrava quando combinado com materiais condutores de corrente elétrica, como a água da chuva.

Para se proteger, a melhor forma é se afastar de fios soltos e prestar atenção para não pisar em poças de água que estejam em contato com esses cabos. A situação improvisada do cabeamento aéreo paulistano pode causar outros problemas, como curto-circuito, apagões e incêndios. Em 2014, o Corpo de Bombeiros atendeu 351 casos de queda de fios energizados, quase um caso por dia.

 Legislação

A exemplo da Av. Paulista, a prefeitura propôs o enterramento da rede aérea. Um decreto assinado pelo prefeito Gilberto Kassab, em 2006, determinou que 250 km de fios fossem enterrados por ano na cidade, para que em 24 anos todo o município tivesse cabeamento subterrâneo.

A lei não foi cumprida até que, no início do ano, o atual prefeito – Fernando Haddad (PT) – retomou a discussão ao obrigar a AES Eletropaulo e outras empresas de telecomunicações a cumprir esse decreto. Contudo, a ação de Haddad foi barrada pela Justiça Federal, sob alegação de que a legislação sobre o setor energético não cabe ao município, já que o tema é de jurisdição federal.

 Por Taís Haupt (2º semestre)

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